8.8.12

La Vita è Bella (1997)

A Vida é Bela, Roberto Benigni


Após assistir ao filme fico mais do que rendido, maravilhado com a nossa existência e liberdade. Coisa preciosa essa, de andarmos pela calçada livre e espontaneamente, sem nos preocuparmos com os nossos actos e as nossas reacções. Se há coisa que se fica a pensar depois de se ver o filme, é o nosso papel dentro de uma comunidade, de um grupo de seres sócio e culturalmente dependentes uns dos outros, a tal ponto que sem o amparo do ombro amigo a nossa "finalidade" esvai-se, resume-se sem qualquer sentido.

Guido, o protagonista de toda a história, carrega esta mensagem, esta carga de emoções, às costas o tempo todo. Carrega a comicidade e a deambulação novelesca de um amor tão infantil e puro, que é enternecedor assistir, até à brutal coragem e determinação, só alcançada por um grande sentido de paternidade. 


Não considero o filme, apesar de tudo, um portento de genialidade, sobretudo no quadro da realização, da profundidade que os próprios planos poderiam e deveriam ter alcançado, mas não deixo de reconhecer que por vezes não é necessário ser ultra-mega-super perfeito, técnica ou artisticamente falando. É preciso, isso sim, e invariavelmente quando se tenta passar uma ideia, uma mensagem, ser verdadeiro, sincero e sem pretensiosismos. A A Vida é Bela consegue-o, na minha opinião, de forma exemplar. 

Acrescenta ainda o facto, confesso, de pessoalmente e por estas andanças, o que mais me motiva é o arrebatamento, é a sensação, por vezes ilusória, de perfeição. Destaque final para a espontaneidade das representações e para a genuína banda sonora, que só transcendem mais o quadro. Uma história impressionante, bem contada, que dentro dos supostos objectivos a alcançar, ultrapassa-os simplesmente.


Jorge Teixeira
classificação: 10/10