Revolutionary Road (2008), Sam Mendes
Tremendo exemplo da força da representação, do vigor das personagens e do poder dos actores ou, noutra perspectiva, do esforço e da firmeza do realizador na direcção destes mesmos, num exercício cinematográfico mais teatral e contemplativo que propriamente inventivo. Se quisermos, mais altruísta e paciente que rigorosamente introspectivo e exaltado, deixando, por isso, respirar o diálogo e o seu rumo em direcções e sentidos altamente imprevisíveis e angustiantes.
Particularmente, os últimos planos a empregarem-se e a dedicarem-se à personagem de Kate Winslet, sempre em primeiro plano, são deliciosos, vorazes até, de tão intensos e minuciosos que se enquadram, tal como a profundidade, através do contraste e da (não) definição, adquire contornos cénicos e de contexto deveras vibrantes e culminantes de toda uma situação sensível ou, enfim, de toda uma discussão inflamável. Grande Leonardo DiCaprio, grande Kate Winslet, grande Michael Shannon e grande Sam Mendes, no mínimo, por toda a energia que propagam nesta espantosa cena.