27.1.13

Torneio Interblogues: Vencedor

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


Está encontrado o vencedor desta 2ª Edição do Torneio Interblogues A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty. É ele a equipa do blogue Dial P for Popcorn. Desde já, os sinceros parabéns ao novo campeão por esta vitória e pelo triunfo no torneio, entre outras razões, porque revelou ser totalmente merecido. Por outro lado, e apesar do Caminho Largo FC não sair vitorioso, sai de cabeça erguida, sabendo que a sua prestação, ao longo do torneio, foi bem acima do esperado, não só por ter derrotado autênticos colossos técnico-tácticos, mas também por ter revelado e praticado um futebol que tanto teve espectáculo como contenção e reflexão dentro e fora do campo.

Entretanto, e em jeito de rescaldo pós-jogo, irá decorrer uma votação para eleger a equipa maravilha, o onze ideal dos conjuntos envolvidos na competição. Para acompanhar ou seguir ao detalhe esta e outras informações, bem como, mais tarde, votar nos seus jogadores preferidos, ir aqui.

Resta-nos agradecer a todos os apoiantes e adeptos que nos seguiram e votaram ao longo da prova, ao CINEdrio pela excelente organização e recepção do evento, e esperar por nova edição do torneio já no próximo ano.

20.1.13

Torneio Interblogues: Final

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O Caminho Largo está na final. Depois de um encontro que surpreendentemente se revelou desnivelado, tendo em conta as perspectivas iniciais, a equipa do Caminho Largo chega ao tão desejado e derradeiro jogo. Para já, o agradecimento à equipa CINEdrio que se debateu até ao fim sempre com dignidade e esperança na revalidação do título. Não passou, ainda assim, à final, pelo que este ano um novo campeão será encontrado.

A final será então disputada entre o Caminho Largo FC e a equipa do blogue Dial P for Popcorn, o vencedor da outra meia-final. Para o encontro, conferir antes as devidas tácticas e respectivas justificações de ambas as equipas Caminho LargoaquiDial P for Popcornaqui. Desejar ainda ao adversário a maior sorte para o jogo e que, acima de tudo, ganhe o melhor! Os sistemas tácticos e as equipas em campo encontram-se na imagem abaixo, sendo que em seguida se procede à habitual análise antes do jogo.

Grande Final: 
(a preto)  Dial P for Popcorn  vs.  Caminho Largo (a azul)

Realçar, logo à partida, o poderio defensivo da equipa adversária - Haneke e Von Trier constituem uma dupla que, para além de segura e eficaz, é interessantíssima. Depois, tanto Resnais como Leigh detêm um enorme potencial, pelo que, se por um lado, até parecem algo desaproveitados estando tão recuados em campo, por outro, o corredor é só para eles, e aí teme-se fortemente as suas investidas. Resta apenas ter confiança (e esperança) nas qualidades de Kusturica, Tarantino e Lynch, que de certo farão de tudo para desequilibrar e balançar o marcador a seu favor.

A meio-campo a batalha também promete, com um PT Anderson e um Scorsese a dividir os aplausos e a tentar, por isso, espalhar magia (e jogadas individuais), sempre apoiados pelos veteranos Fincher e Kiarostami num lado, e Eastwood e Herzog no outro. Troço do terreno equilibrado, antevê-se mesmo muito disputado, com lances de fazer vibrar qualquer adepto, seja pelas arbitragens, sempre polémicas, seja pela beleza das técnicas e tácticas envolvidas.

Se o meio-campo é, de parte a parte, dividido, a defesa do Caminho Largo leva avanço sobre o ataque respectivo. Pelo menos assim se espera, um pouco pelo que Todd Haynes e Terry Gilliam vêm fazendo, ou melhor, não vêm fazendo. Assim como alguma perda de vitalidade que transparece em AlmodóvarYimou, Polanski, Cronenberg e Kar-Wai, por seu lado, fortalecerão a defesa como ninguém, tal como o guardião Miyazaki, que nunca desilude.

Na prática, e sendo uma final, o que prevalecerá durante o jogo em última análise será a frieza dos treinadores ao planear uma táctica coerente, apropriada e certeira tendo em conta as debilidades e fraquezas do adversário. Nesse capítulo, talvez Ozu esteja mais apto que Buñuel, embora este último depois ao nível do poder de discurso e motivação que passa aos jogadores seja superior ao japonês. De qualquer modo, e prevendo um prolongamento, no fim tudo se decidirá com o coração, com lances e jogadas improváveis e imprevisíveis (remates do meio da rua, por exemplo - Soderbergh parece ser aqui um factor a ser explorado), pelo que mais incerto que isto não se podia antever.

Por tudo isto, e mais uma vez, não se esqueçam de votar aqui (barra lateral esquerda) ou directamente aqui. Como é habitual, as votações terminam na próxima sexta-feira, logo apressem-se a escolher a vossa equipa favorita ou aquela em que gostariam de ver atribuído o título de campeão deste torneio.

12.1.13

Torneio Interblogues: Meias-finais

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O período de votação terminou e os vencedores dos quartos-de-final estão encontrados. São eles: o Caminho Largo, o CINEdrio, o Dial P for Popcorn e o Shut up and watch the movies. Orgulhosamente, o Caminho Largo saiu vitorioso neste primeiro encontro, que se revelou, ao que parece, entusiasmante e bastante animado, sendo que o Rick's Cinema sai fora da competição mas de cabeça erguida - desejamos-lhe melhor sorte numa próxima edição do torneio. Este, que por seu lado, continua e as meias-finais já aí estão com os jogos definidos e prontos a decorrer. Conferir o alinhamento e mais informações aqui.

Segundo a grelha e o sorteio inicial, o Caminho Largo FC tem então como oponente nas meias-finais a equipa do blogue CINEdrio, anfitriã e actual campeã do torneio, pelo que a tarefa se antevê dificílima - tão somente impedir a revalidação do título frente a um dos melhores conjuntos que esta competição já recebeu. Desta feita, e em primeiro lugar, respeitar o adversário e desejar-lhe a maior sorte para os noventa minutos de jogo, bem como partilhar a táctica pelas justificações teóricas de ambas as equipas Caminho LargoaquiCINEdrioaqui. Os esquemas tácticos das equipas em campo encontram-se na imagem abaixo. Segue-se de seguida a uma pequena análise das dificuldades e mais-valias dos colectivos no confronto em perspectiva.

2.º Confronto: 
(a preto)  Caminho Largo  vs.  CINEdrio (a azul)

Antes de mais, realçar que dois dos jogadores em campo estão em ambas as equipas, como que dividindo-se em dois - não fossem eles verdadeiras estrelas: o experiente e veteraníssimo Clint Eastwood e o genial e irreverente Quentin Tarantino. Outra curiosidade é que ambos se encontram, sensivelmente, na mesma área do campo - Eastwood à defesa e a trinco, e Tarantino a avançado e a extremo.

Focando-nos mais nas equipas e no confronto, constata-se de imediato, uma sólida defesa adversária, com tanto James Gray e o já citado Eastwood a constituírem uma dupla imponente, como ainda com Carpenter e Friedkin a preencherem os corredores respectivos de modo absoluto e autoritário. Juntando Benning ao conjunto, tem-se uma linha defensiva de meter qualquer atacante em sentido, se bem que se espera que Tarantino, Kusturica e Lynch consigam ainda assim baralhar e desviar alguns destes elementos. E a ver pelo rumo e pela ausência espiritual de dois deles actualmente, até se torna plausível que isso possa acontecer. Fala-se de Eastwood e de Carpenter, respectivamente. 

Por outro lado, teme-se também a meio-campo Malick e Ti West, facto que apenas se poderá equilibrar com os deslizes que Shyamalan e Van Sant têm tido, e já tiveram, nas suas carreiras. Para além da segurança que se deposita em Herzog e Scorsese na recuperação e imaginação dos lances.

Na defesa e respectivo ataque adversário, aguarda-se investidas poderosas, não fossem Godard e Tarantino povoaram esta zona. No entanto, não será fácil penetrar no jogo mental e corporal que Kar-Wai, Cronenberg, Polanski e Yimou detêm, assim como na excelente capacidade de voo e concentração que Miyazaki possui. No geral, o embate antevê-se complicado, talvez demasiado táctico, em que as bolas paradas terão provavelmente um papel decisivo. Noutro sentido, as jogadas individuais poderão e deverão fazer moça em ambas os conjuntos, naqueles lances que furam e desequilibram qualquer táctica, planeada antecipadamente por Ozu e por Fuller - os treinadores respectivos das equipas do Caminho Largo e do CINEdrio

Após a reflexão, já sabem, não se esqueçam de votar aqui (barra lateral esquerda) ou directamente aqui. Podem e devem também conferir o outro encontro das meias-finais votando aqui. As votações terminam na próxima sexta-feira, pelo que se apressem a escolher a equipa com que se identifiquem mais ou a que achem que mereça a vitória e consequente lugar na final.

5.1.13

Torneio Interblogues: Quartos-de-final

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O sorteio já foi realizado e as equipas devidamente emparelhadas. Ditou-se que o Caminho Largo FC defrontará a equipa do blogue Rick's Cinema. O confronto e os esquemas tácticos das equipas em campo encontram-se na imagem mais abaixo. O duelo decidir-se-á por votação online, já em curso e aberta até à próxima sexta-feiraOs restantes encontros relativos aos quartos-de-final da competição também já se encontram decididos. Para saber o emparelhamento, outras informações, bem como e onde votar, basta seguir para o blogue CINEdrio (votações na barra lateral esquerda), o organizador desta  iniciativa. Relativamente ao confronto em questão e antes de mais, conferir as justificações/argumentos e os sistemas de jogo adoptados pelas duas equipas - Caminho Largo: aqui. Rick's Cinema: aqui.

O encontro antevê-se animado e carregado de emoção, não fosse o duelo ter na sua constituição jogadores como Steven Spielberg, James Cameron, Hayao Miyazaki, Wong Kar-Wai ou Zhang Yimou. Por outro lado, presenças como Manuel de Oliveira, Takeshi Kitano, Werner HerzogClint Eastwood, Martin Scorsese ou até Roman Polanski conferem uma experiência e um temperamento menos sensacionalistas e influenciáveis, e logo, mais frios e calculistas no acto de praticar e dar a praticar futebol. Para estes e outros prognósticos, procede-se em seguida a uma análise mais detalhada.

1.º Confronto: 
(a preto)  Caminho Largo  vs.  Rick's Cinema (a azul)

No encaixe dos dois conjuntos é notório, logo à partida, algumas conflituosidades, nomeadamente de penetração no eixo central por parte de Scorsese - Hazanavicius, Kitano e Miike parecem estabelecer uma autêntica fortaleza - tal como, no outro extremo do campo, se antevê trabalhos redobrados (ou imprevisíveis) para a dupla canadiano-polaca (Cronenberg e Polanski), visto que Ang Lee e Christopher Nolan detêm bastante vitalidade (e actuais euforias) que bem podem fazer moça, como aliás, Cameron também ainda o possa fazer. A propósito, Cameron não parece ter o estofo, que talvez já tenha tido, para a posição de nº 10, de forma a balançar o ataque rodeado da defesa que está.

Não se esperam, por isso, ataques constantes, nem tão pouco mortíferos, uma vez que de inconstâncias se têm regido, ao longo das suas carreiras, estes jogadores da frente atacante adversária. À semelhança dos laterais Richie e Spielberg quando estão no ataque, mas, sobretudo, quando posicionados na defesa, onde o Caminho Largo poderá aproveitar e incidir mais e insistentemente. Prevê-se, aliás, alguma permeabilidade nessas alas, de modo a se obter perfurações até à linha de fundo e consequentes cruzamentos, tanto por Tarantino como por Kusturica. Lynch, esse estará lá, sem qualquer dúvida, à espera de finalizar e de surpreender Hou, o guardião contrário.

No seu todo, o onze a "azul" revela-se estável, sendo que as laterais são o seu ponto mais débil (o ataque por vezes também) e a defesa um dos seus pontos fortes, ainda que talvez a zona de maior valor seja mesmo o primeiro e segundo terços do meio campo, com Miguel Gomes e Manuel de Oliveira, dois sólidos e irreverentes jogadores portugueses, que de tudo farão para defender e construir jogo, pelo que, provavelmente, Ozu enveredará por uma táctica mais coesa e concentrada, com especial cuidado nesse troço. Aliás Yasujirô Ozu, qual pensador e treinador, arquitectará, com toda a certeza, uma adequada e condizente estratégia para alcançar a desejável vitória. A ver vamos, sendo que o triunfo para o Rick's Cinema seja igualmente possível e justo. Acima de tudo, que ganhe o melhor!

Para isso, não se esqueçam de votar e conferir os outros encontros aqui (barra lateral esquerda) ou directamente aqui. As votações terminam na próxima sexta-feira, pelo que, o quanto antes, escolham o vosso preferido ou aquele que vos pareça deter mais capacidade/qualidade na presente eliminatória.

28.12.12

Torneio Interblogues: Estágio

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O Caminho Largo aderiu ao convite, e ao Torneio Interblogues, organizado pelo blogue CINEdrio, no âmbito da 2ª Edição da iniciativa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty, e formou a sua equipa, o seu onze ideal de cineastas representativo da "política desportiva" mais (omni)presente neste espaço. O seu campo de autores, por assim dizer, ainda que limitado, uma vez que só alinham "jogadores" (realizadores) que estejam no activo e que, na prática, se complementem entre si.

Entretanto, os atletas convocados já se encontram em estágio, e a treinar, sendo que a competição entre as várias equipas (blogues) começará dentro em breve, após o sorteio dos quartos-de-final. Assim que estiverem ditados e organizados os jogos, serão publicados aqui, oportunamente, o adversário e a data do primeiro jogo (período da votação) relativos à equipa deste blogue e de todos os outros concorrentes em competição, bem como das fases seguintes do torneio até à final. Para mais informações, e para a apresentação geral de todas as equipas, basta seguir e explorar o blogue CINEdrio ou mais especificamente aqui.

Sem mais demoras, o Caminho Largo FC é então constituído pelos titulares que estão na imagem abaixo, num esquema táctico em 4x3x3. As devidas justificações para cada escolha ou jogador na respectiva posição, e as estratégias e relações entre eles, expõem-se em seguida.

Guarda-redes: Hayao Miyazaki - Sereno, tranquilo, de larga amplitude e análise de jogo, com boa antecipação e sentido posicional, que se transcende por vezes, como que voando e anulando um golo quase certo. Gosta de lançar, em passes longos, contra-ataques improváveis para a maioria, mas concebíveis para ele e para David Lynch, seu parceiro nestas jogadas (aventuras). Algo isolado do resto do grupo, vive num mundo à parte, por assim dizer, no entanto, e na altura certa, o japonês tem sempre uma mensagem de força e de reserva para os companheiros, motivando-os, e por isso assumindo um papel importante na equipa - espécie de porto seguro, onde recorrer, nos bons e maus momentos.

Defesa esquerdo (lateral): Kar Wai Wong - De uma visão e abrangência únicas, capaz de defender (e segurar) tudo e todos como de se projectar para a frente com uma improvisação e provocação admiráveis. Daí que se adapte a extremo, explorando a ala esquerda com bastante dinamismo e elegância até, ao ponto de disputar, em certas abordagens, o lugar com Tarantino (titular da posição). Mas é na gestão de todo o corredor que o chinês se sente mais à vontade. É com a sua capacidade em ler o adversário sem bola, interrompendo ataques e contra-ataques, e na simultânea recuperação de investidas mais ofensivas, que está o seu grande valor.

Defesa central (esquerdo): David Cronenberg - Escasso em recursos, mas eficaz, inteligente, duro (física e psicologicamente) e regular. Tem uma personalidade distinta em campo, impondo respeito aos adversários, que por norma não passam pelo canadiano. Em último caso, descarrega mesmo um choque prévio corpo a corpo. O seu ar aparente de poucos amigos, dá-lhe a autoridade e o domínio emocional tão úteis à defesa e em certos momentos de fraqueza da equipa, pelo que não será de estranhar o seu carácter mais distante e frio nas fases opostas de festejo. Sendo o patrão da defesa, raramente é relegado ao banco, mesmo em jogos de relativa importância, tal a sua solidez, regularidade e capacidade física (nunca se lesionou em toda a sua, já longa, carreira).

Defesa central (direito): Roman Polanski - Metódico, certo, detém pouco espaço de manobra mas é exemplar e limpo nos lances. Geralmente contido, pautado, mas aqui e ali explosivo, sobretudo na raça e determinação que executa os cortes.  Possuidor de um jogo e de uma maneira de estar em campo em muito semelhante à do seu ídolo, à sua influência (assumida) - o astro lendário Alfred Hitchcock - no calculismo e disciplina táctica. Complementa-se muito bem com Cronenberg, dobrando o adversário quando o companheiro não pode, formando em conjunto uma terrível e assustadora dupla de centrais. O polaco ainda sobe com frequência à grande área inimiga, especialmente em lances de bola parada onde faz valer a sua estratégia e o seu bom jogo aéreo (mental).

Defesa direito (lateral): Yimou Zhang - Com os seus altos e baixos, é jogador para se concentrar tanto no detalhe (num adversário), como em todo o campo, abrindo o corredor (e o ângulo) só para si. Exuberante e extrovertido dentro e fora do espectáculo, não se encontra de momento na sua melhor forma, muito embora a qualidade e a criatividade do chinês estejam lá, facto que por si só justifica alguns rasgos de perfeita execução e ilusão de que os espectadores são testemunhas. Tem ainda um forte sentido de camaradagem, sendo que tem uma amizade particular com o compatriota Kar Wai, seu colega de treino desde os juniores da selecção chinesa.

Médio defensivo (esquerdo): Werner Herzog - Poderoso, autêntico, sem meias medidas. Um trabalhador nato, que faz um pouco de tudo, explorando o terreno como ninguém. Encara cada partida como a última, debatendo-se incessantemente em verdadeiras batalhas campais (naturais e humanas). Transmite por isso segurança à defesa e confiança ao treinador, a provar está o facto de o alemão ser o jogador que habitualmente mais quilómetros contabiliza e mais jogos faz durante uma época inteira. É ainda, o atleta mais polivalente de todos os titulares, aquele que, prescindindo do seu posto, preenche a vaga ou a lacuna temporária antes de substituições forçadas (com menos um no onze, recua muitas vezes, fazendo de terceiro central ou inclusive de lateral), e portanto, provavelmente o peão mais útil na estratégia da equipa.

Médio defensivo (direito): Clint Eastwood - Autoritário, concentrado, com tempo e noção de espaço. Clássico no estilo, passa despercebido na maior parte dos encontros (há até quem o chame "o homem sem nome"), mas é peça fulcral para a estabilidade do esquema táctico adoptado. Segura a retaguarda ao mesmo tempo que prepara e lança a construção de jogo. Tem pouquíssimas falhas. A regularidade, a força que transmite e o facto de ser o mais antigo jogador do plantel, dão, há muito, o título de capitão de equipa ao americano. Doutra geração que a maioria dos seus companheiros, confere ao grupo, tanto em campo como no balneário, a tranquilidade necessária, acima de tudo, na gestão de resultados. Senhor ainda de um poderoso remate, reflectido em exímios livres directos que são de uma precisão e versatilidade por vezes algo surpreendentes e refrescantes num jogador em que a idade tem sido sinónimo de qualidade.

Médio centro (n.º 10): Martin Scorsese - Notável, criativo, genial no passe e na visão periférica. Organizador e manipulador de todo o jogo. Produto de uma geração de ouro (à época de novos talentos), é acima de tudo, um executante das estratégias planeadas (e treinadas) e inventor, não raras vezes, de soluções urgentes. Impecável tacticamente, o mestre, tal como é chamado, preenche cada metro e cada minuto com o seu talento e magia na condução da bola, ora lenta e construtiva, ora rápida e fracturante. O n.º 10 por excelência, que balança entre a experiência adquirida e a variedade e técnica alcançadas. Detentor ainda de mudanças de velocidade e compensação a todos os níveis espantosas. Daí que o génio e colosso americano mereça o orgulho do treinador, o respeito dos colegas e a admiração dos adeptos.

Avançado esquerdo (extremo): Quentin Tarantino - Volátil, ousado, irreverente, brilhante com a bola nos pés, seja a assistir, seja a fintar e a brincar com o adversário no um para um. Nem sempre defende e é demasiado individualista, mas acaba por equilibrar com a energia e aceleração dos seus arranques até à linha de fundo - que o ponta-de-lança agradece. De palavra (e insultos) fácil, é sobretudo com a incerteza e a auto-estima que joga e deslumbra o público. Daqueles jogadores que levantam um estádio, quebram mecânicas de treino e reciclam jogadas improváveis. É americano, mas geralmente possui um estilo de jogo "à italiana" - muitos o consideram mesmo um descendente do antigo craque Sergio Leone - alternando entre jogadas "de perto", no passe e na finta, e jogadas de longo alcance, no cruzamento e na desmarcação. Inversamente, também se desmarca, principalmente nas constantes combinações que faz com Scorsese da esquerda para o meio, concretizando desse modo muitos contra-ataques.

Avançado direito (extremo): Emir Kusturica - Ágil, mutável, imprevisível, atrevido. Se Tarantino brinca, Kusturica por vezes humilha os adversários com os seus dribles mirabolosos. Com inspiração e em arrancadas individuais, o sérvio resolve encontros sozinho, sendo que é mesmo a arma secreta para o treinador. Uma espécie de promessa em cada jogo e em cada época. Daí que fique algumas vezes no banco, caso seja necessário uma dinâmica e criatividade extras numa segunda parte ou quando o resultado assim o exigir. De todos os jogadores, é o mais brincalhão e a alegria do balneário. É o que lida melhor com as entrevistas e o que invariavelmente mais interage com os adeptos, inclusive da equipa adversária (com provocação e ironia).

Ponta-de-lança: David Lynch - Famosa estrela americana. É a mais recente e mais cara aquisição do plantel. De extrema habilidade, na recepção e domínio de bola (mesmo na confusão total), é um jogador absolutamente soberano dentro da sua área de influência. Com a mesma facilidade, tanto marca de cabeça como com o pé. Revela-se, por isso e constantemente, uma surpresa e, jogando muito de costas para a baliza, rompe a defesa contrária inúmeras vezes, finalizando sempre de maneira diferente com o seu toque de bola e cunho pessoal. É, contudo, ainda mais mortífero na marcação de grandes penalidades - segundo alguns colegas, em toda a sua carreira falhou apenas dois - e isolado frente a frente com o guarda-redes, em que raramente falha. Grande ponta-de-lança, que é um regalo e uma certeza para qualquer amante de futebol.

Treinador: Yasujirô Ozu - De perfil calmo, atento, quase estático por vezes, é um treinador que sabe esperar e que tem perfeita noção da abordagem e enquadramento que pretende, perante o contexto e o adversário que enfrenta. Normalmente, tem tudo pensado, a cadência de passe, as substituições, as marcações, os planos b e c, os contra-tempos e o anti-jogo, digamos. Analisa e prepara meticulosamente cada encontro, tendo invariavelmente em campo uma postura séria e consciente, olhando e avaliando o encaixe das duas equipas e respectivas tácticas sempre num plano mais térreo, mais real - no fundo, o seu, o de treinador (que não abdica, em qualquer circunstância), e portanto, nunca visões de cima, de bancada. Antiga estrela asiática que tem igualmente tido bastante sucesso na carreira de treinador - a prova são os êxitos dos últimos anos com este conjunto de titulares, que o próprio construiu.