5.12.12

Entradas e Saídas (2)

The Bridges of Madison County (1995), Clint Eastwood


O tempo, uma vida, as paixões. Se por vezes encontramos conforto e motivações regular e periodicamente, outras há que o estímulo só surge duas ou três vezes em toda uma existência. Estímulo esse que, contudo, se poderá revelar esmagador, inesquecível e por isso imortal, tanto mais recompensador que meras pontualidades. É o caso deste The Bridges of Madison County, ou do seu par protagonista e respectiva história, tão curta e preenchida tal qual um atalho útil mas sem saída.

Um início calmo, típico, rotineiro, que estreme, balança e quase se vira a meio, na re-descoberta de viver e deixar-se viver, para no fim equilibrar-se (na tal tangente normal e angustiante), voltando assim à estabilidade e conformidade temporariamente deixadas.

27.10.12

Entradas e Saídas (1)

Shane (1953), George Stevens


Existe em Shane um ciclo, uma história que começa e acaba, um princípio, um meio e um fim (como mandam as regras convencionais de uma narrativa). Ao raiar do dia, Shane, o homem, entra em cena para introduzir-nos o conto, para agitar e baralhar aquela família, mas também, e principalmente, para dar uma ajuda às necessidades patentes do quotidiano. O tempo passa, os minutos avançam e a acção desenrola-se. Ao pôr do sol, Shane, o homem outra vez, sai de cena para fechar o livro, para terminar um capítulo com aquelas pessoas, e para não se prender, e prender os outros, à sua presença e irreverência. Sobre o mesmo cenário e sobre o mesmo enquadramento se completa um ciclo, e se faz um filme.