19.2.14

2ª Edição: 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição (4)

As escolhas de:
João Bizarro, autor do blogue Cantinho das Artes

Os 3 melhores filmes sobre a Coragem:
Stand by Me (1986)
Conta Comigo, Rob Reiner

Saving Private Ryan (1998)
O Resgate do Soldado Ryan, Steven Spielberg

Lo Imposible (2012)
O Impossível, Juan Antonio Bayona

O melhor realizador a explorar a Coragem:
Steven Spielberg
"And I may often question choices I make as a producer. But I've never questioned the choices I make as a director."

As escolhas de:
Daniel Gamito Marques, autor do site Daniel Gamito Marques 
e colaborador no blogue VIDEODROMA

Os 3 filmes que melhor retratam a Coragem:
Freud (1962)
Freud, além da alma, John Huston

Kinsey (2004)
Relatório Kinsey, Bill Condon

Hannah Arendt (2012)
Margarethe von Trotta

O realizador que melhor expressa a Coragem:
Abdellatif Kechiche
"I always need time to reflect before starting. It is my rhythm."

Obrigado, João e Daniel, pelas participações.
Concorda / Identifica-se com estas Posições?

18.2.14

2ª Edição: 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição (3)

As escolhas de:
David Pinho Barros, autor do site David Pinho Barros 
e colaborador no site À pala de Walsh

Os 3 filmes que melhor demonstram a Coragem:
Roma, Città Aperta (1945)
Roma, Cidade Aberta, Roberto Rossellini

Un Condamné à Mort s'est Échappé ou Le Vent Souffle où il Veut (1956)
Fugiu Um Condenado à Morte, Robert Bresson

They Came to Cordura (1959)
Os Heróis de Cordura, Robert Rossen

O realizador que melhor define a Coragem:
John Huston (1906–1987)
"Half of directing is casting the right actors."

As escolhas de:
Bruno Cunha, autor no blogue Frank and Hal's Stuff

Os 3 filmes que melhor reproduzem a Coragem:
Forrest Gump (1994)
Robert Zemeckis

Harry Potter (2001-2011)
Chris Columbus, Alfonso Cuarón, Mike Newell e David Yates

Into the Wild (2007)
O Lado Selvagem, Sean Penn

O realizador que melhor representa a Coragem:
George Lucas
"I wanted to make abstract films that are emotional, and I still do."

Obrigado, David e Bruno, pelas participações.
Concorda / Identifica-se com estas Posições?

17.2.14

2ª Edição: 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição (2)

As escolhas de:
João Curado, autor do blogue Quero Ver 1 Filme

Os 3 filmes que melhor transmitem a Coragem:
Scarface (1983)
A Força do Poder, Brian De Palma

La Vita è Bella (1997)
A Vida é Bela, Roberto Benigni

Finding Nemo (2003)
À Procura de Nemo, Andrew Stanton e Lee Unkrich

O realizador que melhor exprime a Coragem:
Steven Spielberg
"You know, I don't really do that much looking inside me when I'm working on a project. Whatever I am becomes what that film is. But I change; you change."

As escolhas de:
Rui Alves de Sousa, autor do blogue Companhia das Amêndoas 
e colaborador no site Espalha Factos

Os 3 filmes que melhor revelam a Coragem:
Mr. Smith Goes to Washington (1939)
Peço a Palavra, Frank Capra

Les Quatre Cents Coups (1959)
Os Quatrocentos Golpes, François Truffaut

Inherit the Wind (1960)
Stanley Kramer

O realizador que melhor filma a Coragem:
Sidney Lumet
"I don't think art changes anything. I do it because I like it and it's a wonderful way to spend your life."

Obrigado, João e Rui, pelas participações.
Concorda / Identifica-se com estas Posições?

Prémios CCOP 2014: Nomeados



Com nove nomeações, Django Unchained (Django Libertado) é o filme mais nomeado de sempre na segunda edição dos prémios anuais do Círculo de Críticos Online Portugueses, que visam premiar os melhores filmes estreados comercialmente em Portugal durante 2013. A produção compete nas categorias principais de Melhor Filme e Melhor Realizador (Quentin Tarantino). Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis), apesar de não estar nomeado como Melhor Filme, obteve oito nomeações, incluindo Melhor Realizador (Joel Coen e Ethan Coen). Seguem-se La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle)Gravity (Gravidade), ambos com seis nomeações, cada um. O primeiro compete nas categorias de Melhor Filme e Melhor Realizador (Abdellatif Kechiche). Na categoria de Melhor Filme Português, os nomeados são A Última Vez Que Vi Macau, A Batalha de Tabatô e É o Amor.

Fundado em Fevereiro de 2012, o Círculo de Críticos Online Portugueses é constituído por um grupo seleccionado de críticos online de cinema nacionais (do qual faço parte), cujos objectivos se centram na classificação mensal dos filmes estreados, de forma a produzir um conjunto de tops com oportunos dados estatísticos. Anualmente atribuem os Prémios CCOP que visam premiar os melhores filmes estreados comercialmente em Portugal durante o ano transacto. A lista completa de todos os nomeados segue abaixo. Para mais informações seguir para o site oficial do CCOP aqui.

Melhor Filme
The Hunt (Jagten) (A Caça), de Thomas Vinterberg
Before Midnight (Antes da Meia-Noite), de Richard Linklater
La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle), de Abdellatif Kechiche
Django Unchained (Django Libertado), de Quentin Tarantino
Short Term 12 (Temporário 12), de Destin Cretton

Melhor Realizador
Abdellatif Kechiche por La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle)
Alfonso Cuarón por Gravity (Gravidade)
Ethan Coen e Joel Coen por Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Paul Thomas Anderson por The Master (The Master - O Mentor)
Quentin Tarantino por Django Unchained (Django Libertado)

Melhor Argumento Original
Zero Dark Thirty (00:30 A Hora Negra), Mark Boal
The Hunt (Jagten) (A Caça), Tobias Lindholm e Thomas Vinterberg
Blue Jasmine, Woody Allen
Django Unchained (Django Libertado), Quentin Tarantino
Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)Ethan Coen e Joel Coen

Melhor Argumento Adaptado
La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle)
Abdellatif Kechiche e Ghalia Lacroix, baseado no livro de Julie Maroh

Beasts of the Southern Wild (Bestas do Sul Selvagem)
Lucy Alibar e Benh Zeitlin, baseado na peça de teatro de Lucy Alibar

Silver Linings Playbook (Guia para um Final Feliz)
David O. Russell, baseado no livro de Matthew Quick

No (Não)
Pedro Peirano, baseado no argumento de Antonio Skármeta

Short Term 12 (Temporário 12)
Destin Cretton, baseado na curta-metragem de Destin Cretton

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis em Lincoln
Joaquin Phoenix em The Master (The Master - O Mentor)
Mads Mikkelsen em The Hunt (Jagten) (A Caça)
Oscar Isaac em Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Tom Hanks em Captain Phillips (Capitão Phillips)

Melhor Actriz
Adèle Exarchopoulos em La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle)
Brie Larsen em Short Term 12 (Temporário 12)
Cate Blanchett em Blue Jasmine
Greta Gerwig em Frances Ha
Jessica Chastain em Zero Dark Thirty (00:30 A Hora Negra)

Melhor Actor Secundário
Barkhad Abdi em Captain Phillips (Capitão Phillips)
Christoph Waltz em Django Unchained (Django Libertado)
Daniel Brühl em Rush (Rush - Duelo de Rivais)
Leonardo DiCaprio em Django Unchained (Django Libertado)
Philip Seymour Hoffman em The Master (The Master - O Mentor)

Melhor Actriz Secundária
Amy Adams em The Master (The Master - O Mentor)
Anne Hathaway em Les Misérables (Os Miseráveis)
Kristin Scott Thomas em Only God Forgives (Só Deus Perdoa)
Léa Seydoux em La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle)
Sally Hawkins em Blue Jasmine

Melhor Filme de Animação
Le Magasin des Suicides (A Loja dos Suicídios)
Ernest et Célestine (Ernest e Célestine)
Frozen (Frozen - O Reino do Gelo)
Despicable Me 2 (Gru - O Maldisposto 2)
Arrugas (Rugas)

Melhor Filme Português
A Batalha de Tabatô, de João Viana
A Última Vez Que Vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata
É o Amor, de João Canijo

Melhor Filme em Língua Não-Portuguesa/Inglesa
The Hunt (Jagten) (A Caça) (Dinamarca)
La Vie d'Adèle: Chapitres 1 et 2 (A Vida de Adèle) (França)
Blancanieves (Branca de Neve) (Espanha)
De Rouille et D'os (Ferrugem e Osso) (França)
No (Não) (Chile)

Melhor Primeira Longa-Metragem em Cinema
Andrés Muschietti por Mama (Mamã)
Benh Zeitlin por Beasts of the Southern Wild (Bestas do Sul Selvagem)
Evan Goldberg e Seth Rogen por This Is the End (Isto é o Fim!)
Malik Bendjelloul por Searching for Sugar Man (À Procura de Sugar Man)
Ruben Alves por La Cage Dorée (A Gaiola Dourada)

Melhor Documentário
The Story of Film: An Odyssey (A História do Cinema), de Mark Cousins
Searching for Sugar Man (À Procura de Sugar Man), de Malik Bendjelloul
Stories We Tell (Histórias Que Contamos), de Sarah Polley

Melhor Canção
"Fare Thee Well", Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Música e letra:  Marcus Mumford, Oscar Isaac e T-Bone Burnett
Intérprete: Oscar Isaac e Marcus Mumford

"Hang Me, Oh Hang Me", Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Música e Letra: Oscar Isaac e T-Bone Burnett
Intérprete: Oscar Isaac

"Please, Mr. Kennedy", Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Música e Letra: Ed Rush, George Cromarty, T-Bone Burnett, Justin Timberlake, Joel Coen, Ethan Coen
Intérprete: Justin Timberlake, Oscar Isaac e Adam Driver

"Together", The Great Gatsby (O Grande Gatsby)
Música e Letra: Romy Madley-Croft, Oliver Sim e Jamie Smith
Intérprete: The xx

"Young and Beautiful", The Great Gatsby (O Grande Gatsby)
Música e Letra: Lana Del Rey e Rick Howels
Intérprete: Lana Del Rey

Melhor Elenco
Blue Jasmine
Django Unchained (Django Libertado)
Silver Linings Playbook (Guia para um Final Feliz)
Lincoln
The Master (The Master - O Mentor)

Melhor Cena ou Sequência
"Alien canta Everytime", Spring Breakers (Spring Breakers - Viagem de Finalistas)
"Plano-sequência inicial", Gravity (Gravidade)
"Primeiro embate do tsunami", Lo Imposible (O Impossível)
"Raid final", Zero Dark Thirty (00:30 A Hora Negra)
"Resgate do Capitão Phillips", Captain Phillips (Capitão Phillips)

Melhor Banda Sonora
T-Bone Burnett (produtor), Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Dan Romer e Benh Zeitlin (compositor), Beasts of the Southern Wild
Mary Ramos (produtor), Django Unchained (Django Libertado)
Steve Price (compositor), Gravity (Gravidade)
Craig Armstrong (compositor) e Jay-Z (produtor), The Great Gatsby (O Grande Gatsby)

Melhor Fotografia
Bruno Delbonnel, Inside Llewyn Davis (A Propósito de Llewyn Davis)
Emmanuel Lubezki, Gravity (Gravidade)
Mihai Malaimare Jr., The Master (The Master - O Mentor)
Robert Richardson, Django Unchained (Django Libertado)
Roger Deakins, Prisoners (Raptadas)

Melhores Valores de Produção
Django Unchained (Django Libertado)
Gravity (Gravidade)
Lincoln
The Great Gatsby (O Grande Gatsby)
Les Misérables (Os Miseráveis)

Melhores Efeitos Especiais
Pacific Rim (Batalha do Pacífico)
Gravity (Gravidade)
Iron Man 3 (Homem de Ferro 3)
The Hobbit: Desolation of Smaug (O Hobbit: A Desolação de Smaug)
Lo Imposible (O Impossível)

16.2.14

2ª Edição: 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição (1)

As escolhas de:
Carlos Melo Ferreira, autor do blogue Some like it cool

Os 3 melhores filmes sobre a Coragem:
Ossos (1997)
Pedro Costa

No Quarto da Vanda (2000)
Pedro Costa

Juventude em Marcha (2006)
Pedro Costa

O melhor realizador a explorar a Coragem:
Pedro Costa
"É necessária uma responsabilidade, uma seriedade na altura de filmar um plano. Não pode ser algo fácil, o cinema é muito difícil, muito cansativo. É um ofício, como ser pedreiro."

As escolhas de:
Frederico Daniel, autor do blogue Os Filmes de Frederico Daniel

Os 3 filmes que melhor retratam a Coragem:
1408 (2007)
 Mikael Håfström

Away We Go (2009)
Um Lugar para Viver, Sam Mendes

Elysium (2013)
Neill Blomkamp

O realizador que melhor expressa a Coragem:
James Wan
"For me and my films, I want my audience to experience cinema in its full glory. It's not just visual, it's audio as well. It's emotional, and I want you to be engaged with not just the scene but with the characters."

Obrigado, Carlos e Frederico, pelas participações.
Concorda / Identifica-se com estas Posições?

2ª Edição: 1 Tema, 3 Coordenadas, 1 Posição


Está de volta a iniciativa que tanto dinamizou e tanto motivou o debate e o conhecimento há um ano atrás. Renovada, mais abrangente que nunca e sempre sobre um assunto essencial, a iniciativa abre oficialmente a sua 2ª Edição sob o tema Coragem. De novo, a iniciativa pretende acima de tudo promover a discussão, a exploração temática e a paixão sobre o Cinema.

Na prática, consistirá na publicação de várias selecções, aos pares, por parte de convidados especiais. Os mesmos que revelarão, segundo 1 Tema (Coragem), as suas escolhas - 3 Coordenadas / 3 Filmes e 1 Posição / 1 Realizador. As escolhas definirão, em primeira análise, as suas preferências sobre o assunto, e em segunda, a sua posição perante o tema visado, assim como o tipo de Cinema associado. Concretamente, os filmes como os melhores resultados obtidos e o realizador como a fórmula que, à partida e dado a experiência, melhor traduzirá os valores envolvidos.

Pela segunda vez, está então lançado o desafio, e o tema - Coragem - e, portanto, que a Sétima Arte se manifeste e que a reflexão comece.

12.2.14

Manual de Regras (11)

O bom julgador, por si julga.

12 Angry Men (1957)
Doze Homens em Fúria, Sidney Lumet

9.2.14

À Boleia (17)

Um convidado responde a questões nucleares ou essenciais sobre o cinema.
Entrevistado: Daniel Curval, autor do blogue num filme de godard.
Obrigado, Daniel, pela colaboração.

Caminho Largo: A qualidade abstracta de um filme está mais no argumento ou na realização? Ou em ambas?

Daniel Curval: O termo argumento (scénario) tem as suas raízes literárias no teatro mas rapidamente foi absorvido pelo cinema, como um modelo de orientação e descrição narrativa do que se pretende filmar.
A sinopse ou história, as cenas e até os diálogos podem ser definidos no argumento e numa fase final temos a planificação (découpage) nos planos que irão servir de base à rodagem do filme.
No cinema clássico não há filmes sem argumento, porém argumentos sem filme era e é o que mais há.
Veja-se o caso exemplar da indústria de Hollywood, nos seus tempos áureos, o argumento era o todo poderoso elemento na produção de um filme. A classe dos argumentistas dentro da indústria era fundamental para manter a mesma, e tinha um poder superior à classe dos realizadores (filmmakers).
Aquilo que hoje temos como clássicos do cinema norte-americano eram produzidos em série e os realizadores não passavam de tarefeiros dentro do sistema, mesmo aqueles que agora são (re)conhecidos como o realizador Michael Curtiz e o filme “Casablanca”. Aliás, este filme é um bom exemplo da força do argumento, seja ao nível da produção e da rodagem, como do filme em si.
Com a Nouvelle Vague e mais tarde num cinema mais experimental e de autor, o argumento vai diminuindo a sua importância decisiva na produção de um filme e muitas vezes não passa de um sumário, umas ideias alinhavadas, e muitos filmes nascem ao sabor da liberdade de algum improviso que alguns cineastas adoptam na rodagem de um filme e outros mais rigorosos seguem o argumento planificado à risca. Contudo, a montagem pode também dar um carácter abstracto a um filme.
A qualidade abstracta de um filme (é uma expressão muito discutível) depende muito da forma como o argumento é planificado em termos de imagem, planos e toda a gramática da linguagem cinematográfica de que a realização se apodera e utiliza.
Se pensarmos no cinema em termos de imagem+som, um mau argumento ou uma história banal pode ser salvo por uma realização criativa e uma montagem inteligente. Assim como uma realização medíocre, ou apagada em termos artísticos pode ser salva por um bom argumento, uma história forte. Para concluir, são vários os factores que interferem numa suposta “qualidade abstracta” de um filme.

CL: Atribuis muita importância à montagem num filme? Como se percepciona a sua existência e o seu valor?

DC: A montagem num filme é estruturante, ela é que define a arquitectura do filme em si. Na história do cinema a Montagem teve uma relevância determinante, veja-se o cinema formalista soviético, o expressionismo alemão e todo o cinema do período do mudo. A montagem é que organiza as ligações de todos os planos da planificação e rodagem de um filme, que estabelece quais as relações formais ou semânticas, os raccords, o tempo da imagem/plano.
A montagem pode ser dinâmica, acelerada ou mais lenta, joga com os planos como se fossem palavras, atribui-lhes o ritmo, a harmonia ou o contraste e a fluidez e com a união desses planos constrói as frases que constituem o texto cinematográfico.
Se um filme proporciona uma deleitosa leitura imagética é porque possui uma montagem eficaz, seja pela sua força, confronto ou até quase ausência.
Pessoalmente, prefiro uma montagem que permita observar atentamente a mise-en-scène, o plano e o seu enquadramento, tenho uma especial predilação por longos planos-sequência, que acabam por ser planos com uma montagem intrínseca.

CL: O cinema tem de ter entretenimento na sua essência? ou pode e/ou deve excluir essa componente?

DC: O cinema como manifestação artística, na sua essência, não tem que ter entretenimento, mas se tiver como numa boa comédia ou filme de aventuras ou um western, primeiro que seja bem feito, que não trate os espectadores como ingénuos ou outros qualificativos mais estúpidos. Prefiro um cinema que me provoque a reflexão, mas não rejeito o bom cinema de entretenimento (seja lá o que isso for), bem pelo contrário. Todavia, julgo que só o cinema norte-americano tem essa capacidade única de fazer bom cinema sem excluir o entretenimento. Há casos de excepção em algum cinema Asiático, da América Latina e até Europeu, mas penso que a indústria de Hollywood é exímia a produzir excelente cinema de entretenimento nos vários géneros cinematográficos. E quando os europeus tentam imitar esse cinema não lhes chegam aos calcanhares porque não possuem o savoir-faire do “the show must go on” nem o know-how do espectáculo. O entertainment cinema europeu é quase todo remendado do estilo à lá americana. De vez em quando lá aparece um filme europeu que se destaca como um entretenimento bem feito e que agrada a um público generalista. Contudo, tenho para mim que “Recordações da Casa Amarela” (1989) de João César Monteiro é um exemplo perfeito de um grande filme de autor, aliado a uma vertente de comédia lusitana. Se quisermos ser condescendentes este é o entretenimento que se exige ao cinema europeu.

CL: O conhecimento e a influência de toda a história do cinema é imprescindível para o sucesso e para a qualidade de um filme? Concretamente, porquê?

DC: Bastaria responder a esta questão unicamente com a palavra «Não», obviamente que não é imprescindível. O conhecimento da história do cinema pode ajudar, ou até pode ser prejudicial se influenciar em demasia, e apenas incutir a produção de pastiches. Porém, um conhecimento crítico da história do cinema é quase sempre uma mais valia seja na produção e realização de um filme ou na sua avaliação como espectador. Evidentemente que um cinéfilo ou um crítico só poderá reconhecer e avaliar justamente ao atribuir qualidade a um filme se possuir vastos conhecimentos sobre a história e a estética do cinema. Isto sem esquecermos que as idiossincrasias estão sempre presentes na produção/realização de um filme, assim como na sua recepção por parte do espectador, seja ele cinéfilo ou crítico ou muito simplesmente uma pessoa que gosta de ver filmes. Já o sucesso é coisa que só interessa ao merchandising e na maior parte das vezes não reflecte a real qualidade do filme (ou a falta da mesma).

CL: Comenta a seguinte citação do realizador Jean-Luc Godard: "Fotografia é verdade. Cinema é verdade vinte e quatro vezes por segundo."

DC: Na brincadeira, costumo dizer que o nome artístico completo deste grande cineasta é Jean-Luc “Boutade” Godard, ele é: le roi des boutades. Dos ditos espirituosos e inteligentes, hiperbólicos, alegóricos e quase parabólicos. Esta afirmação de Godard é um dos grandes exemplos da sua atitude de agente provocador, o que ele pretende, e faz isso muito bem, é pensar com as imagens e os sons através da arte, da literatura, do cinema e da história. Estas afirmações não são axiomáticas, são provocações à reflexão individual. Em particular esta que é citada é de uma paixão exacerbada pelo cinema, isto é, JLG reforça a importância do cinema como uma verdade absoluta, ora sabemos que isto é uma hipérbole cinéfila, porque nem a fotografia (imagem fixa) é a verdade e muito menos o cinema na sua repetição (imagem em movimento). A imagem fotográfica na captação não está separada de uma interpretação individual nem do aparelho/dispositivo que a regista e o mesmo se passa com o cinema. Se com a película (analógico) a manipulação da verdade sempre existiu, agora com o digital a verdade está extrapolada na sua manipulação. A questão filosófica do que é a Verdade e a suposta Realidade transcende a fotografia e o cinema. Os dixits de JLG são como pedras de arremesso para uma boa discussão cinéfila, incitam a uma reflexão sobre o cinema e a história, mas não são nenhum fiel depositário da verdade, e ainda bem.