22.12.13

TCN Blog Awards 2013: Caminho Largo vence em Melhor Blogue Individual



Foi com surpresa que o Caminho Largo saiu premiado na cerimónia dos TCN Blog Awards 2013. Num evento extremamente carismático e que, cada vez mais, se assume como ponto de encontro de todos os que constituem e participam nesta blogosfera, o Caminho Largo, de entre as quatro nomeações que tinha, foi distinguido como Melhor Blogue Individual. Prémio que se considera de extremo valor, não tanto pela vitória em si, e ainda que os outros nomeados sejam autênticas referências desta comunidade, mas acima de tudo pelo reconhecimento de grande parte dos pares desta área, tanto da crítica, da academia, como do público, estimados leitores, que apreciam este blogue e o que aqui é escrito, descrito e pensado.

Todos os restantes vencedores, em cada categoria, foram mais que justos, tal como teriam sido todos os que estavam nomeados, não fosse esta blogosfera de cinema e televisão muito capaz, competente e, sobretudo, muito reveladora da paixão que os próprios bloggers nutrem pela partilha e pelo debate do conhecimento e da arte que nos une e nos completa. Parabéns a todos. A lista dos vencedores pode ser conferida aqui.

Resta então o mais importante, os agradecimentos, primeiramente à organização dos TCN Blog Awards (ao Cinema Notebook e à Take Cinema Magazine), à academia e a todos as pessoas que votaram neste blogue, tanto na categoria premiada como nas outras, e ainda a todos os blogues e bloggers que estavam meritoriamente nomeados. Segundo, e com particular destaque, agradecer à família, aos amigos e a todos aqueles que directa ou indirectamente apoiam e contribuem para fazer do Caminho Largo aquilo que é. Por último, fica a promessa de continuar no mesmo caminho, sempre pela Sétima Arte, rumo ao infinito e ao incerto, e porventura, de sustentar mais e melhor este trajecto que já tanto ofereceu. Obrigado, muito obrigado a todos.

Jorge Teixeira e Pedro Teixeira

20.12.13

CCOP: Top de Novembro de 2013



Com quarenta estreias cinematográficas em Novembro (entre longas e curtas-metragens), foi o vencedor da Palma d'Ouro 2013 que acabou por liderar o top mensal do CCOPLa vie d'Adèle (A Vida de Adèle: Capítulos 1 e 2) conquistou também a crítica, com a nota média de 8,64. Consultando o top especial dedicado às Palmas d'Ouro da História do Festival de Cannes, verifica-se que o filme de Abdellatif Kechiche surge na oitava posição dos melhores filmes vencedores de tal galardão, ocupando o lugar de Amour. O filme ocupa agora a segunda posição no top de 2013. Em segundo lugar do top de Novembro surge Stories We Tell (Histórias Que Contamos), documentário de Sarah Polley, com a nota média de 8,57. O filme é o documentário melhor classificado no CCOP desde sempre, acima de Searching for Sugar Man (À Procura de Sugar Man) (7,92). De recordar que o único outro filme da realizadora [Take This Waltz (Notas de Amor)] também classificado pelos membros do CCOP, recebeu a nota média de 6,60 em 10. O filme deu ainda entrada directa no terceiro lugar dos melhores filmes do ano. O terceiro lugar é ocupado por L'inconnu du lac (O Desconhecido do Lago), filme vencedor da Queer Palm 2013 e do prémio de Melhor Realizador (Alain Guiraudie) na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2013. O filme que teve antestreia nacional no Lisbon & Estoril Film Festival recebeu a nota média de 7,75. Outros apontamentos para o pior filme do mês: The Counselor (O Conselheiro), de Ridley Scott, com nota média de 5 e para o CCOP também o pior filme do realizador, imediatamente abaixo de A Good Year (5,13), conforme revelado no top especial que lhe foi dedicado. Um destaque para a reposição nacional de 2001: A Space Odyssey (2001: Odisseia no Espaço), filme de Stanley Kubrick, que recebeu a nota média de 9. Comparando com todos os filmes já votados pelo CCOP, recebeu a mesma nota de Tokyo Story (Tôkyô monogatari) (Viagem a Tóquio) e situa-se imediatamente abaixo de Vertigo - A Mulher Que Viveu Duas Vezes (9,13).

Todos os tops anteriores correspondentes ao presente ano, assim como o top anual actualizado, encontram-se no site oficial do Círculo de Críticos Online Portugueses aqui (tal como ainda outras eventuais informações). Eis então o top completo dos filmes, com suficiente amostragem, estreados em Portugal em Novembro de 2013:

1. La Vie d'Adèle (2013)
A Vida de Adèle: Capítulos 1 e 2, Abdellatif Kechiche | 8,64
2. Stories We Tell (2012)
Histórias Que Contamos, Sarah Polley | 8,57
3. L'Inconnu du Lac (2013)
O Desconhecido do Lago, Alain Guiraudie | 7,75
4. La Vénus à la Fourrure (2013)
Vénus de Vison, Roman Polanski | 7,43
5. The Way Way Back (2013)
O Verão da Minha Vida, Nat Faxon e Jim Rash | 7,00
5. Frozen (2013)
Frozen - O Reino do GeloChris Buck e Jennifer Lee | 7,00
7. The Hunger Games: Catching Fire (2013)
The Hunger Games: Em Chamas, Francis Lawrence | 6,60
8. The Family (2013)
MalavitaLuc Besson | 5,83
9. Ender's Game (2013)
O Jogo Final, Gavin Hood | 5,75
10. Parkland (2013)
Peter Landesman | 5,50
11. The Fifth Estate (2013)
O Quinto Poder, Bill Condon | 5,25
12. The Counselor (2013)
O Conselheiro, Ridley Scott | 5,00

17.12.13

Citações (13)

Casablanca (1942), Michael Curtiz


IlsaPlay it once, Sam. For old times' sake.
SamI don't know what you mean, Miss Ilsa.
IlsaPlay it, Sam. Play "As Time Goes By."
SamOh, I can't remember it, Miss Ilsa. I'm a little rusty on it.
IlsaI'll hum it for you. Da-dy-da-dy-da-dum, da-dy-da-dee-da-dum...
IlsaSing it, Sam.
Sam"You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is just a sigh
The fundamental things apply
As time goes by.
And when two lovers woo,
They still say, "I love you"
On that you can rely
No matter what the future brings..."
RickSam, I thought I told you never to play...

16.12.13

Bandas Sonoras (9)

Lawrence of Arabia (1962), David Lean


Grandiosa, triunfal e apoteótica são alguns exemplos para a adjectivação desta monumental obra cinematográfica. O assombroso e denso tema sonoro aqui em destaque é, portanto, digno do filme a que se compromete ou se relaciona. Uma faixa famosa e intemporal, que nos dá exactamente aquilo que desejamos ou que ansiamos neste meio, sobretudo sob contornos épicos - a exaltação, o poder e a glorificação do homem. Acima de todos, estão David Lean e Peter O'Toole como o maestro e o herói, respectivamente. Além de perdurar no ouvido, esta banda sonora reside e persiste como uma homenagem a esses mesmos homens.

8.12.13

5 Grandes Filmes de Western (3)


Stagecoach (1939)
Cavalgada Heróica, John Ford

The Searchers (1956)
A Desaparecida, John Ford

The Magnificent Seven (1960)
Os Sete Magníficos, John Sturges

Il Brutto Il Buono Il Cattivo (1966)
O Bom, o Mau e o Vilão, Sergio Leone

The Wild Bunch (1969)
A Quadrilha Selvagem, Sam Peckinpah

por Jorge Teixeira e Pedro Teixeira

6.12.13

À Boleia (13)

Um convidado responde a questões nucleares ou essenciais sobre o cinema.
Entrevistado: Samuel Andrade, autor do blogue Keyzer Soze's Place.
Obrigado, Samuel, pela colaboração.

Caminho Largo: O que se deve para ti privilegiar mais num filme?

Samuel Andrade: A experiência proporcionada por um filme, nomeadamente a nível sensorial e emocional, demonstrando, nesse processo, a capacidade de se distanciar das outras expressões artísticas. Pelo uso que faz das várias disciplinas inerentes ao Cinema (fotografia, cenografia, música, etc.), valorizo sempre o filme que expõe situações, temáticas e estados de espírito da forma mais cinematográfica possível: um movimento de câmara não “casual”, um enquadramento pleno de simbolismo e significação, uma determinada escolha cromática, o efeito sonoro gerado com a intenção de não ser apenas um elemento de audição, ou uma reunião inusitada de motivos narrativos.

CL: É habitual falar-se do "visual" do filme, da sua componente estética e formal em comparação com o argumento. Na tua perspectiva e interpretação, onde encaixa aqui a realização? É negligenciada ou insere-se na tal "aparência" do filme? Identificas-te com esta posição?

SA: Mais do que a componente estética e formal de um determinado filme, identifico-me sobretudo com a noção da realização enquanto veículo para a construção autoral por parte de um realizador. Nestes casos, a realização é, indiscutivelmente, o elo mais forte de um filme e, consequentemente, da análise à carreira de um cineasta.
Por outro lado, a realização só se apresenta negligenciada na composição formal do filme quando é assumida por um profissional pouco interessado em imprimir a sua marca (um “tarefeiro”, segundo a gíria da indústria).

CL: A versatilidade e a abrangência são mais ou menos importantes que um vincado carácter autoral de um cineasta?

SA: A versatilidade e a abrangência podem ser o carácter autoral de um cineasta, e não faltam exemplos disso. Só para citar alguns, recordo-me dos casos de Stanley Kubrick, Alain Resnais, Steven Spielberg, Ridley Scott, Chan-wook Park ou John Ford, autores que foram capazes de expressar visões, inquietações e temáticas por intermédio de diversos registos e géneros.
Todavia, considero que a verve de um autor nunca se poderá diluir numa polivalência desorganizada, incorrendo assim no risco de perder os factores que elevam um realizador àquele estatuto.

CL: A adopção por novas tecnologias e por novas ferramentas por parte do cinema deve ser imediata e permanente? Ao longo da sua história tem sido sempre benéfica? Porquê?

SA: Eis uma autêntica one million dollar question.
É do conhecimento de muitos a minha perspectiva algo conservadora relativamente às novas tecnologias na Sétima Arte, com a defesa da manutenção da película de 35mm, enquanto ferramenta de produção, exibição e conservação, em plano de destaque. No entanto, admito que o digital tem permitido, com elevado grau de eficácia, uma considerável “democratização” do Cinema, nomeadamente na forma como possibilita que mais jovens talentos possam filmar com a frequência e acessibilidade económica desejadas ou na oferta alargada de títulos disponíveis (DVD, Blu-ray, stream, etc.) nesse formato.
Além disso, é-me impossível negar o impacto indiscutivelmente positivo que determinados desenvolvimentos tecnológicos, como o surgimento do sonoro ou a invenção da Steadicam, tiveram para o modo como apreciamos um filme. Mas darei sempre o meu aval à obra ou ao cineasta que privilegie uma abordagem mais “primitiva” – no sentido de mais próximo das suas origens – e ponderada ao Cinema: que encare a película como o suporte na qual a Sétima Arte foi criada e pensada para ser exibida, que não encontre nos efeitos visuais a resposta para qualquer necessidade de production values, e que não transforme a experiência de ver um filme em “atracção de feira” (vulgo 3D).

CL: Comenta a seguinte citação do realizador Stanley Kubrick: "Um filme é - ou deveria ser - mais como a música do que como a ficção. Deve ser uma progressão de estados de espírito e sentimentos."

SA: Tal como afirmei na minha primeira resposta a este «À Boleia», é a experiência que determina o acto de ver Cinema. Para qualquer cinéfilo, seja ele mais ou menos experiente e conhecedor, revela-se sempre inesquecível aquele filme visionado numa determinada altura da sua vida, que foi capaz de sacudir o seu âmago, de apaziguar qualquer dilema pessoal ou de suscitar sentimentos nunca antes experienciados. É esse o poder, de cariz sensorial e emocional, que torna o Cinema na arte peculiar que conhecemos.

P.S.: aposto que a referência a Kubrick, no contexto deste convite (que muito agradeço), foi tudo menos casual. Parabéns, Jorge, és um blogger atento.