10.11.13

Cenas (8)

Network (1976), Sidney Lumet


Assustadoramente actual de tão certo e de tão previsível que se torna, esta cena é senão uma chamada de atenção e um grito de revolta de uma sociedade que cada vez mais está presa ou se prende a si mesma sem se dar conta. "Enlouqueçam" diz às tantas repetida e derradeiramente Howard Beale (Peter Finch numa performance delirante e arrebatadora) - "Mad as Hell" - como a frase final de efeito e de propaganda da revolução.

Extraordinária composição de visão e pensamento, no meio (a televisão) que atinge o seu fim (o espectador) e vice-versa, ou ainda numa mistura praticamente imperceptível de realidade com ficção. Nunca é demasiado tarde, por isso, para abrirmos os olhos seja para o que for, sobretudo quando se relaciona com a integridade e a sanidade do ser-humano. Uma pequena cena que tem o alcance e o valor do mundo.

9.11.13

À Pergunta da Resposta (7)

Pergunta:
Um filme que manifeste a crueldade, a sobrevivência e o perdão associados?

Resposta:
(na resposta à questão está uma palavra a reter)

(na resposta à questão está uma palavra, no plural, a reter)

(na resposta à questão está um nome a reter)

Pergunta:
Um filme que manifeste a crueldade, a sobrevivência e o perdão associados?

Resposta:
A resposta está nas pistas ou no que elas sugerem.
Adivinha qual o filme?
(soluções posteriormente nos comentários)

(os textos e as publicações envolvidas nas pistas são de consulta e leitura obrigatória)

Posters (16)

Bambi (1942), David Hand


29.10.13

À Boleia (10)

Um convidado responde a questões nucleares ou essenciais sobre o cinema.
Entrevistado: Inês Moreira Santos, autora do blogue Hoje Vi(vi) um Filme e do site Espalha Factos.
Obrigado, Inês, pela colaboração.

Caminho Largo: Onde deverá residir para ti na maioria dos casos a verdadeira qualidade de um filme?

Inês Moreira Santos: Quando um filme nos consegue tocar de forma intima, profunda, verdadeiramente singular em todos os seus aspectos – visual ou espiritualmente –, essa é certamente a sua verdadeira qualidade. É difícil apontar onde ela reside, pois de certo irá variar de filme para filme. Ainda assim, é na relação com o espectador que a verdadeira qualidade se encontra, já que sem essa espécie de partilha nenhum filme poderia resistir.

CL: Fotografia, banda-sonora, interpretações ou cenografia têm o mesmo peso que argumento, realização e montagem na avaliação de um filme? Como hierarquizas, se é que faz sentido, os vários departamentos da produção?

IMS: Mais uma vez, parece-me uma questão que não pode ser avaliada da mesma forma de filme para filme. O ideal seria que todos os elementos se fundissem numa união perfeita. Haverá contudo sempre a tendência para cada um avaliar um filme consoante a sua área de preferência ou de maior interesse – eu, por exemplo, costumo dar grande importância ao argumento, mas cada vez mais me interesso pela componente visual. Contudo, é claro que há filmes muito mais visuais – Gravidade é um bom e recente exemplo disso – em que de forma nenhuma se pode deixar a componente técnica para um plano secundário. Ainda assim, as interpretações, e mesmo o argumento não deixam de ter um peso fundamental na sua avaliação. Em conclusão, todos os departamentos da produção devem ter o mesmo peso na avaliação de um filme, ou não são eles mesmos que, juntos, formam a unidade fílmica?

CL: O cinema tem de subsistir e debruçar-se sempre na realidade e/ou verdade ou pode-se refugiar totalmente no abstracto e na fantasia?

IMS: Felizmente há espaço para tudo quando falamos de cinema. Os géneros são imensos (terror, suspense, drama, romance, thriller, comédia, ficção científica, documental, musical, e tantos outros...), ficção e documentário por vezes fundem-se, a liberdade é total e as possibilidades são imensas para quem quer fazer ou ver um filme. Entre os factos ficcionados serem mais ou menos reais, ou fugirem para um campo mais fantástico, abstracto, ou mesmo surrealista, o espaço é infindável para as opções dos realizadores, e, claro está, dos espectadores.

CL: O prazer e a apreciação de se assistir a um filme numa sala de cinema são completamente diferentes e decisivos em comparação, por exemplo, à visualização através da televisão? Porquê?

IMS: São experiências distintas, ambientes diferentes, cada um com as suas mais-valias. A sala de cinema convida a uma maior introspecção, interiorização do que é projectado na grande tela. A sala escura e silenciosa faz desfrutar em pleno – se as condições forem as melhores, claro, quer em termos de projecção como de comportamento dos espectadores em sala – dessa experiência que é assistir a um filme. Contudo, é uma experiência individual. Através da televisão é diferente, mais ligada a um ambiente familiar, ou entre amigos, por exemplo. A partilha de opiniões e emoções é exteriorizada. Eu prefiro a sala de cinema, sem dúvida. Mas há momentos certos para ambos.

CL: Comenta a seguinte citação do realizador Tim Burton: "Filmes são como uma forma cara de terapia para mim."

IMS: Uma frase curiosa, que pode adaptar-se também ao público. O cinema está caro – ou a actual conjuntura o faz parecer – e quem ainda resiste e gosta de ver filmes numa sala de cinema assumirá certamente esta frase como sua – uma terapia cara, mas que vale a pena. Quanto a Burton, ainda bem que o resultado dessa terapia é, normalmente, uma óptima terapia também para os seus fãs. E quando o trabalho é terapia, que mais se pode querer? O gasto na “consulta” tem duplo retorno: monetário e de satisfação pessoal. Tomara que fosse sempre assim.

27.10.13

TCN Blog Awards 2013: Nomeados



Um ano passou, e como já vem sendo hábito de há três anos a esta parte, os TCN Blog Awards (os prémios mais cobiçados por blogues e sites nacionais de cinema e televisão) estão aí para a sua 4ª Edição, iniciando o seu processo de nomeações e consequente votação, agora referente ao ano de 2013, sempre nunca esquecendo o seu grande e único objectivo - premiar e, sobretudo, divulgar o que de melhor se fez e se faz na comunidade.

Com a divulgação de todos os nomeados, constata-se então que o Caminho Largo agradavelmente encontra-se, outra vez, nomeado, desta feita em mais categorias que o ano transacto, nomeadamente em Melhor Iniciativa (com a rubrica À Boleia), Melhor Crítica de Cinema (pela segunda vez em anos consecutivos - com Tokyo Story (Tôkyô monogatari), de Yasujirô Ozu), Melhor Blogue Individual (Caminho Largo) e Melhor Blogger do Ano (Jorge Teixeira). Estas nomeações só vêm reflectir orgulhosamente uma evolução ou, pelo menos, uma continuidade de um aparente e reconhecido bom trabalho, este que visa, e visará incessantemente, o cinema, as suas linguagens e as suas influências, sempre com o intuito de aprender e desenvolver o conhecimento e o pensamento sobre esta arte que nos une e nos fascina a todos a conviver.

Destaque ainda para o meu envolvimento nas dezenas de nomeações que, ao todo, o CCOP indirecta e meritoriamente obteve com os seus membros (facto de extremo orgulho), e para a minha colaboração em mais quatro iniciativas que foram nomeadas conjuntamente, são elas: Cinema Bloggers Awards 2014O meu CicloPosters Caseiros: O LivroUm Filme, Uma Mulher. Todas, e para além destas, sem excepção, mais que merecidas, no que se revela uma categoria muito forte e sólida - um autêntico exemplo, entre tantos outros, de que a blogosfera portuguesa está viva e, apesar de tudo, de boa saúde.

Por tudo isto, resta-nos agradecer muito a todos aqueles que nos lêem, comentam e seguem, a todos aqueles que contribuíram ou que colaboraram, em especial, na iniciativa nomeada, e a todos aqueles que nos distinguiram e que nos nomearam e que, portanto, estimam e se interessam por este espaço, que tanto prazer e tanta dedicação acumula, e continuará certamente a acumular diariamente.

Por último, como é hábito, apelamos efusivamente, primeiro, à leitura de todo o material selecionado e nomeado, segundo, ao voto, que se pode exercer na barra lateral direita do blogue organizador e dinamizador dos prémios - Cinema Notebook (em parceria com a Take Cinema Magazine). Caso a votação incida ou se relacione com o Caminho Largo agradecemos desde já, sendo que para isso basta seleccionar, especificamente, as opções certas nas categorias correspondentes - À Boleia para IniciativaTokyo Story para Crítica Cinema, Caminho Largo para Blogue Individual e Jorge Teixeira para Blogger do Ano. Acima de tudo, independentemente de preferências, não se esqueçam, votem - aqui - por uma blogosfera mais forte!

Jorge Teixeira e Pedro Teixeira

19.10.13

CCOP: Top de Setembro de 2013



A distribuição massiva de filmes nas últimas semanas (por vezes com onze estreias na mesma semana), tem reduzido a percentagem de filmes elegíveis aos tops mensais. Caso flagrante o de Setembro, onde com trinta e quatro filmes estreados, apenas onze figuram no top mensal. Se nem os críticos (naturalmente mais propensos a assistirem aos filmes que estreiam) conseguem cobrir por completo o mapa de estreias mensais, imaginemos então o que acontece nas salas de cinema portuguesas, por sinal cada vez mais vazias. Em Setembro, a estreia de Blue Jasmine lidera o pódio e apesar da honrosa nota média (7,92), o filme apenas consegue ocupar a décima posição do top anual, ex-aequo com Searching for Sugar Man (À Procura de Sugar Man). Olhando para o top especial dedicado ao cinema de Woody Allen, ficamos a saber que Blue Jasmine figura no décimo quarto lugar dos melhores filmes do cineasta, para os membros do CCOP (Annie Hall é o preferido do grupo, com a nota média de 9,64 em 10). Steven Soderbergh e o seu Behind the Candelabra (Por Detrás do Candelabro) ocupa a segunda posição do pódio de Setembro, com a nota média de 7,64. Vale a pena referir que foi recusado financiamento a esta produção em Hollywood, por se considerar "demasiado gay" para o cinema, acabando por ser produzido e por estrear em televisão, no canal HBO. O CCOP confirma assim o favoritismo deste filme junto da crítica e não só, depois até de Behind the Candelabra (Por Detrás do Candelabro) ter sido candidato à Palma d'Ouro 2013. A terceira posição do pódio é ocupada por Insensibles (Insensíveis), do realizador espanhol Juan Carlos Medina e co-produzido pelo português Luís Galvão Telles, através da Fado Filmes. O filme foi exibido em Portugal nos festivais Fantasporto e MOTELx. Nota ainda para a estreia em cinema de dois clássicos do cinema japonês e duas obras-primas do cineasta japonês Yasujirô OzuTokyo Story (Tôkyô monogatari) (Viagem a Tóquio)An Autumn Afternoon (Sanma no aji) (O Gosto do Sakê) foram trazidos aos cinemas nacionais pela Leopardo Filmes e os membros do CCOP atribuíram-lhes a excelentes classificações médias de 9,00 e 8,25; respectivamente.

Como é habitual, para consultar o top anual e todos os anteriores tops ou ainda outras informações, ir ao site oficial do Círculo de Críticos Online Portugueses aqui. Eis então o top completo dos filmes, com suficiente amostragem, estreados em Portugal em Setembro de 2013:

1. Blue Jasmine (2013)
Woody Allen | 7,92
2. Behind the Candelabra (2013)
Por Detrás do Candelabro, Steven Soderbergh | 7,64
3. Insensibles (2012)
Insensíveis, Juan Carlos Medina | 7,60
4. The Place Beyond the Pines (2012)
Como Um Trovão, Derek Cianfrance | 7,50
5. Like Someone in Love (2012)
Abbas Kiarostami | 7,43
6. The Conjuring (2013)
The Conjuring - A EvocaçãoJames Wan | 7,18
7. Kon-Tiki (2012)
Kon-Tiki - A Viagem Impossível, Joachim Rønning e Espen Sandberg | 6,75
8. The Butler (2013)
O MordomoLee Daniels | 6,44
9. Dark Horse (2011)
Dark Horse - Diários de um FalhadoTodd Solondz | 6,00
10. The Heat (2013)
Armadas e Perigosas, Paul Feig | 5,86
11. Diana (2013)
Oliver Hirschbiegel | 3,60

17.10.13

Filmes que Marcaram



A convite do blogue Sala3 participei na iniciativa Filmes que Marcaram (o nome diz tudo), que o mesmo lançou e que contará com inúmeros bloggers da nossa praça. Foi então com imenso prazer que abordei, seleccionei e estruturei os filmes que mais me marcaram (impossível escolher apenas um ou dois), ou aqueles que por este ou por aquele motivo me construíram e me conduziram à paixão e à cinefilia que hoje tenho ou que poderei plausivelmente vir a ter.

As minhas escolhas, assim como toda a iniciativa (que ainda agora começou), estão aqui. Obrigado pelo convite, e que a blogosfera continue a (sobre)viver e a interagir também desta forma que tanto estimula o pensamento e a partilha de conhecimento.