23.9.13

À Pergunta da Resposta (6)

Pergunta:
Um filme que retrate os limites ou os horizontes daquilo que as pessoas acreditam?

Resposta:
(na resposta à questão está uma palavra a reter)

(na resposta à questão está uma palavra a reter)

(na resposta à questão está um nome a reter)

Pergunta:
Um filme que retrate os limites ou os horizontes daquilo que as pessoas acreditam?

Resposta:
A resposta está nas pistas ou no que elas sugerem.
Adivinha qual o filme?
(soluções posteriormente nos comentários)

(os textos e as publicações envolvidas nas pistas são de consulta e leitura obrigatória)

22.9.13

Passion (2012)

Paixão, Brian De Palma


Antes de mais, não há dúvidas, estamos perante um filme de Brian De Palma (de volta à sua melhor forma), desde o seu núcleo narrativo delirante até ao seu formalismo imaginativo. Depois, é evidente que o cineasta pegou (ou roubou) num material já existente (o filme de Alain Corneau) para satisfazer o seu ego, as suas ideias e as suas ilusões, ainda que ocasionalmente disfuncionais e desligadas entre si, mas que no conjunto constituem aquilo a que chamo inequivocamente de peça ou puzzle autoral.

Com auxílios e veículos de luxo (ou serão aviões?) reproduzidos nas duas belas actrizes Rachel McAdams e Noomi Rapace (para além dos secundários ou meros peões masculinos e para além do terceiro pilar feminino, a ruiva, surgido e induzido lá mais para o final), De Palma constrói um thriller de competição profissional (e actual), de enganos e desenganos, de disfarces e metáforas, de jogos traiçoeiros, astutos e silenciosos, onde a ascensão empresarial e a satisfação pessoal estão na linha da frente, custe o que custar, influenciando as simuladas relações e, sobretudo as motivações e identidades. Uma - McAdams - é loura, perspicaz, ousada, invejosa, fria e sedutora, que não olha a meios para atingir fins, outra - Rapace - é morena, ingénua, dependente, insegura e apaixonada pelo seu ofício e pelo namorado da anterior. São as duas peças principais e que, à primeira vista, constituem pessoas diferentes, aparente e profissionalmente compatíveis e eficazes nos seus objectivos. São ambas, na verdade, também inteligentes, cada uma à sua maneira, o que possibilita e nos transporta, com o desenrolar dos acontecimentos e as mudanças de espírito, para a "segunda vista".

Nesta segunda parte, ou mais profunda camada, em virtude da fragilidade das mentiras e dos segredos, os episódios (e os acasos) misturam-se e as personalidades baralham-se (invertendo-se mesmo em algumas características na personagem de Noomi Rapace), o que proporciona a mais que legítima capacidade de De Palma em nos brindar com as suas construções e descontruções na dialéctica argumento e realização, ou imagem e percepção. De facto, o realizador considerado por muitos como discípulo directo de Hitchcock (e como isso é bem visível aqui) consegue a proeza de nos dar imagens, em nada directas, para articular, para pensar, para decifrar e para nos deliciar.

Inicia com uma narrativa ou exploração cautelosa, protegida, provocatória, premonitória e de forte cariz sexual, para ceder o lugar (privilegiado e em primeira fila) a uma trama crescentemente envolvente e enigmática, e psicologicamente perturbante, tanto quanto a liberdade e a desarrumação rotineira assim o permitem e, dado a criatividade do artesão por detrás das câmaras, pois claro, que projecta e exige do espectador tudo e mais alguma coisa, aqui verdadeiro objecto e objectivo focal. Planos oblíquos, contra-campos inventivos, ecrã dividido e subentendido, luz e sombra desfiguradas, movimentos indefinidos, segmentos ocultos, dispositivos propostos e dispostos em estratos (sonhos), e códigos apropriados e invertidos (a tecnologia) são apenas alguns exemplos da mestria da realização e da montagem, perfeitamente egoístas, mas entrosadas, e numa ou noutra cena, com a assistência da (enorme) banda sonora, eficazmente fundidas (todo o acto final à la Hitchcock, por exemplo).

Em suma, quando poderíamos estar a pensar numa longa-metragem desenvolvida unicamente à semelhança da quase primeira hora, dentro dos contornos do erotismo, da hipocrisia e da superficialidade ténues e suportáveis do dia-a-dia laboral (no que constitui apesar de tudo uma boa fluidez excitantemente temperada), somos completamente enganados, como que tiram-nos o tapete dos pés, sem licença, e só não caímos porque, no fundo, até que esperávamos (ou ansiávamos) o rumo que a história acaba por tomar, ou melhor, a direcção (desnorteada) que o jogo mental e espacial palmaniano parece desembocar. Isto sob uma tensão persistente e musicalmente acutilante, e não deixando de realçar aqui, com o devido mérito, a grande presença e prestação de Rachel McAdams, conotativa e sintomaticamente atractiva, que acrescenta e que traduz essa imprevisibilidade e ambiguidade do argumento e que, convenhamos, está garantidamente acima da sua parceira no que ao protagonismo do filme diz respeito. O que até é contraditório e decepcionante, uma vez que a personagem de Noomi Rapace tem mais composição ou mais crescimento e propagação na objectiva do observador presente. Testemunha esta (não mais que nós próprios espectadores) que, no fim e acima de tudo, tanto (pensa que) percebe, como se carrega ao interpretar ou simplesmente se entrega às múltiplas dúvidas existentes (e fabricadas), de que aliás não se livrará mesmo no final de tamanha e admirável experiência. Um filme apaixonante.


Jorge Teixeira
classificação: 8/10

20.9.13

Manual de Regras (8)

Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.

The Usual Suspects (1995)
Os Suspeitos do Costume, Bryan Singer

16.9.13

À Boleia (8)

Um convidado responde a questões nucleares ou essenciais sobre o cinema.
Entrevistado: Sofia Santos, autora do blogue girl on film.
Obrigado, Sofia, pela colaboração.

Caminho Largo: Como percepcionas, expressas e traduzes a qualidade ou não de um filme?

Sofia Santos: A resposta a esta pergunta não é fácil. Tenho total consciência de que não sou expert na matéria e sei que não sou ninguém para dizer que um filme é bom ou mau, que tem qualidade ou não. Limito-me a opinar. Mentiria se escrevesse que os meus gostos pessoais nunca interferem na perceção que tenho de um filme. Interferem e bastante. Tal como a simpatia ou antipatia por uma banda musical, por um clube de futebol, uma marca de relógios ou pelo cheiro de um perfume, as simpatias e os ódios também existem para com um filme.
Só há pouco tempo comecei a dar “notas” aos filmes. E mesmo assim com alguma dificuldade, sobretudo porque tenho noção que por vezes sou injusta ou então muito benevolente com certos filmes. A minha tabela vai do zero ao dez. Nunca dei um zero e também nunca dei um dez. Não se enganem, a nota é puramente criada e pensada por mim, de acordo com critérios pessoais, sem ligar às notas IMDb ou Metacritic
No entanto, na minha tabela quimérica de avaliação, tenho sempre em conta alguns elementos que considero serem factores determinantes para o gosto ou para a aversão sobre um determinado filme...
a) Gosto de fantasia, gosto de ficção cientifica, mas prefiro sempre um filme real. Uma história verossímil, credível, bem alicerçada.
b) Valorizo a transmissão da mensagem de forma clara. Não têm que existir diálogos profundos ou longos, não têm que ser cumpridas cronologias ou sequências narrativas, mas gosto de chegar ao fim do filme e percebê-lo.
c) No entanto, e quase em contradição com o que escrevi anteriormente, gosto de um fim irrequieto. Ou seja, gosto de um filme que me faça sair do cinema inquieta ou a pensar no que ficou em aberto. Poucos são os filmes que conseguem provocar (de forma correcta) esta sensação. Para perceberem melhor o que digo, falo, por exemplo, de um Trance de Danny Boyle.
d) Interpretações. Gosto de um actor/actriz que transmita emoções, sejam elas positivas ou negativas, como a alegria ou a tristeza.
e) A cinematografia - a fotografia, a luz, a cor.
f) Considero também determinante, o tempo – quer das cenas, quer dos diálogos ou silêncios. E já que mencionei “tempo”, os filmes não se medem aos palmos. Um filme longo pode ser um suplício, mas um filme curto pode ser igualmente castrador. Não há um tempo correcto ou ideal, mas há elementos mínimos a cumprir.
g) A banda sonora, o guarda-roupa e os cenários são elementos que muito aprecio e que considero determinantes para o sucesso ou fracasso do filme. Também o recurso à tecnologia é cada vez mais difícil de ignorar.
h) Valorizo a identificação com a história do filme, com alguma personagem, característica ou ideia.
No entanto, e apesar de considerar que os pontos que elenquei são determinantes, não faço questão de ter uma métrica rígida e inalterável. Tudo é passível de alterações e tudo depende muito do meu estado de espírito ou sentimentos.
Enquanto escrevia estas palavras, lembro-me de Million Dollar Baby, um filme especial, que me incomodou de tal modo que nunca fui capaz de escrever sobre ele, ou de o voltar a ver. A altura em que o vi não podia ter sido a pior e infelizmente marcou-me pela negativa. Assim, apesar da magnitude sentimental do filme, a minha nota iria sempre reflectir aquilo que o filme me fez sentir.

CL: No seu conjunto e na sua especificidade, um filme deve ser comparado a um hipotético livro associado? O cinema deve algo à literatura?

SS: Quando de uma adaptação se trata, tem obrigatoriamente que ser comparado. E, neste caso, comparar o filme ao livro pode ser uma desilusão ou uma surpresa. Recordo a adaptação do The Da Vinci Code ao cinema que nem sequer se pode comparar ao livro, pois o livro (apesar de todas as imprecisões históricas) supera-o a anos-luz. Mas também pode ser uma agradável surpresa adaptativa como aconteceu com The Girl with the Dragon Tattoo. Ou até mais ousadamente, a recente adaptação de Les Misérables de Vítor Hugo por Tom Hooper.
O cinema deve muito à literatura. E cada vez mais a literatura é influenciada pelo cinema. A relação entre as duas artes é vincada pela união ou pela dissidência.
Recordo-me das aulas de Estética, na universidade, em que Ingmar Bergman foi mencionado pela sua afirmação de que o cinema nada tem a ver com a literatura – uma declaração cada vez mais difícil de compreender ou aceitar, se tivermos em conta que dois terços do cinema norte-americano são adaptações literárias.
Penso que a palavra “dever” não será a mais correcta para perceber união/afastamento entre a Literatura e o Cinema. A palavra que une estas duas artes e que também as separa é só uma. É aquela de que ambas são compostas – a narrativa.

CL: A história da sétima arte, no seu largo e diversificado espectro, é fundamental para a idealização e para a produção de um filme? Em que medida?

SS: Se o Caminho Largo me permitir - a resposta a esta pergunta é muito simples: Hugo de Martin Scorsese

CL: A televisão e o cinema, para além de se influenciarem, devem-se acompanhar um do outro? Porquê?

SS: Influenciam-se obviamente, mas não têm que andar acompanhados ou criar laços de parceria. No entanto, um facto é incontornável - cada vez mais o mundo do cinema está a influenciar a televisão. A caixa mágica encontrou nas séries de televisão um potencial indiscutível. As séries são cada vez mais pensadas, mais estruturadas, mais semelhantes a um filme. Estas séries são, também elas, cada vez mais povoadas por estrelas de cinema, que encontram papéis dignos e que em nada envergonham a sua carreira cinematográfica – penso numa Glenn Close (em Damages) ou num Kevin Spacey (em House of Cards). Mas o papel inverso também acontece e também são muitos os actores de séries de televisão que migram para o cinema.
Não acho que deva ser obrigatória aquela moda que pareceu surgir com o fim do Twin Peaks ou de 24 de que o fim das séries devia ser contado nas salas de cinema. Muitos realizadores e argumentistas ainda não perceberam que o truque para uma série se tornar de “culto” está no saber parar. Mas – aqui entre nós - o cinema não pode apontar o dedo, sobretudo nestes últimos anos, em que remakes, prequelas e sequelas estão a ser usadas e abusadas.
O Caminho Largo que me desculpe a provocação, mas é fácil perceber como estes dois mundos, que aparentemente estão próximos, andam, de facto, ainda muito afastados um do outro. Para isso basta, por exemplo, constatar algumas guerras diplomáticas que acontecem no mundo da blogosfera, entre os blogs de cinema, os blogs de televisão e aqueles que são mistos (em que eu me incluo).
Assim, e tentando resumir, influenciam-se, mas não têm nem devem caminhar muito próximos. Para bem do Cinema e da Televisão.

CL: Comenta a seguinte citação do realizador Quentin Tarantino: "Adoro a violência. Às vezes eu acho que Thomas Edison inventou a câmara só para que pudéssemos filmá-la."

SS: Apesar de simpatizar muito com Quentin Tarantino e de achar que a sua forma de filmar a violência é muito interessante, não considero que esta afirmação do realizador seja a melhor ou a mais correcta. É sobretudo muito limitadora. A câmara deve filmar muito mais do que isso. Deve filmar um todo e não só uma característica. Sim, a violência pode ser bela, mas o silêncio de um olhar, um carinho, uma paisagem ou um diálogo, podem conseguir transmitir uma emoção tal, que nenhum tiro ou facada pode igualar.

CCOP: Top de Agosto de 2013



Com trinta e uma longas-metragens estreadas em Portugal durante o mês de Agosto, apenas onze se tornaram elegíveis para o top do CCOP, provavelmente por este ser um mês tipicamente de férias (dado curioso: apenas uma produção não norte-americana obteve amostragem suficiente). Mais uma vez e pelo segundo mês consecutivo, nenhuma das novas estreias conseguiu dar entrada no top 10 anual - que permanece assim inalterado. O sucesso de A Gaiola Dourada (produção francesa, realizada por um luso-francês e com elenco e história maioritariamente nacionais) não permaneceu também alheio aos membros do CCOP. O filme que já foi visto por quase 600 mil espectadores em Portugal, recebeu a nota média de 7,44 (o mesmo valor que o 29.º classificado de 2012 - Kill List (Uma Lista a Abater) - conseguiu). O mais recente trabalho de Sofia Coppola, Bling Ring conseguiu uma votação média o suficiente para ocupar a segunda posição do pódio, mas os 6,75 de nota comprovam que o filme dividiu também os membros do CCOP. A surpresa surge na terceira posição: Michael Bay e o seu Pain & Gain (Dá & Leva) conseguiram uma média de 6,57.

Para consultar o top anual e todos os tops anteriores, assim qualquer outra informação, ir ao site oficial do Círculo de Críticos Online Portugueses aqui. Eis então o top completo dos filmes, com suficiente amostragem, estreados em Portugal em Agosto de 2013:

1. La Cage Dorée (2013)
A Gaiola Dourada, Ruben Alves | 7,44
2. The Bling Ring (2013)
Bling Ring: O Gangue de Hollywood, Sofia Coppola | 6,75
3. Pain & Gain (2013)
Dá & Leva, Michael Bay | 6,57
4. The Iceman (2012)
Um Homem de Família, Ariel Vromen | 6,38
5. The Innkeepers (2011)
Hóspedes IndesejadosTi West | 6,33
6. Kick-Ass 2 (2013)
Kick-Ass 2: Agora é a DoerNicolas Jeff Wadlow | 6,17
7. Elysium (2013)
Neill Blomkamp | 5,92
8. Red 2 (2013)
Red 2: Ainda Mais PerigososDean Parisot | 5,20
9. We're the Millers (2013)
Trip de FamíliaRawson Marshall Thurber | 5,00
10. The Lone Ranger (2013)
O Mascarilha, Gore Verbinski | 4,71
11. Jobs (2013)
Joshua Michael Stern | 4,40

14.9.13

Conversas Anónimas (3)

La Cage Dorée (2013), Ruben Alves


Sujeito X: Não sei se já foste ver A Gaiola Dourada ao cinema, mas o que achas do número recorde de espectadores que já o viram? É bom sinal ou sinal dos tempos?
Sujeito Y: É bom sinal, claro. Acho muito bem. Gosto imenso que o cinema em Portugal continue a ter espectadores, ainda que estejamos numa fase descendente, e se possível até que tenha mais sucessos como este. É um caso de estudo.
X: Mas então, já viste o filme?
Y: Sim, já. E talvez perceba melhor, por isso, a enchente que tem tido pelo país fora. Os resultados semanais têm surgido muito por culpa do "passa a palavra", do aconselhamento entusiasmado a familiares e amigos, que se identificam e que não resistem a falar do filme.
X: E, no fim de contas, o filme é mesmo bom ou é dos tais que entretém e diverte apenas e só?
Y: Eu acho que é bom, ainda que não seja nada de extraordinário. Diverte, sem dúvida, mas também tem o seu cunho de aprendizagem, de envolvimento numa cultura e numa geração em conflito com outra. O filme é francês, mas tem tanto ou mais de português, o que diz tudo.
X: E não será fácil por isso? Essa identificação que, logo à partida, tem por parte de um povo não o catapulta de imediato para o êxito que tem tido?
Y: Sim, claro, é óbvio esse reconhecimento, tão português de uma geração e de um tempo tão difíceis, onde emigrar era a única solução e onde as dificuldades que se adivinhavam eram apenas o início de uma longa e amarga vida de estranheza. Uma vida por vezes de não pertença a qualquer lado, porque se acaba por desligar-se de um país, o de origem, para se habitar noutro que nunca será igual, inevitavelmente, ao primeiro.
X: Portanto, trata-se de um filme feliz, fruto da história e das acções de um país. Não terá ainda assim outros valores ocultos que o sustentam por outro lado?
Y: Com certeza. A competência do realizador e em geral de toda a produção é evidente. Estamos perante um filme que executa, e se executa, muito bem. Nada a apontar. Aliás, sou daquelas pessoas que não gosta de o descredibilizar só porque tem como principal objectivo entreter ou distrair um povo que, nos dias de hoje, vive sob uma grande crise. Pelo contrário, gosto de pensar que são estes exemplos que nos completam no dia-a-dia, que nos unem mais e que nos relembram as pessoas ou os portugueses que orgulhosamente somos. Sem máscaras, sem artifícios e sem preconceitos de criticarmos (e de gostarmos) dos jeitos e trejeitos que temos, tão simplesmente.
X: Nesse sentido, desvalorizas algumas críticas mais acesas e desprestigiantes?
Y: Embora as perceba, sim, desvalorizo completamente. Oxalá houvesse mais exemplares destes, com esta capacidade de mover as pessoas. E, a meu ver, o cinema só ganha com isso.

Nota: O conteúdo destas "Conversas" não reflecte, necessariamente, as opiniões dos autores do blogue.