8.6.13

À Pergunta da Resposta (3)

Pergunta:
Um filme que nos retrate a determinação, a força e a eternidade do amor?

Resposta:
(na resposta à questão está uma palavra a reter)

(na resposta à questão estão três palavras a reter)

(na resposta à questão está uma palavra a reter)

Pergunta:
Um filme que nos retrate a determinação, a força e a eternidade do amor?

Resposta:
A resposta está nas pistas ou no que elas sugerem.
Adivinha qual o filme?
(soluções posteriormente nos comentários)

(os textos e as publicações envolvidas nas pistas são de consulta e leitura obrigatória)

7.6.13

Cenas (5)

2001: A Space Odyssey (1968), Stanley Kubrick


Cena poderosa, visceral, triunfante, visionária. É tudo aquilo que quisermos, porque na verdade ela própria se transcende e se imortaliza como peça rara e imprescindível para a história do cinema. Conhecimento e evolução se misturam aqui para dar lugar a uma mística, a uma ideia de profundidade e de significação da vida, do Homem, ou do que a arte nos pode fornecer. No fim, nem conseguimos percepcionar correctamente o que assistimos e damos por nós a contemplar uma viagem de milhares de anos. Fica tão somente para a posteridade uma cena que a bem dizer não se deve compreender, mas sim interiorizar ou simplesmente receber.

4.6.13

Joana d’Arc por Maria Falconetti

La passion de Jeanne d'Arc (1928), Carl Theodor Dreyer


História sobejamente conhecida, e de forte cariz revolucionário, que assume neste filme provavelmente o seu auge de excelência. Numa época em que o Cinema ainda existia sem palavras, Carl Theodor Dreyer aborda o material simbolicamente e de uma forma não apenas, e inevitavelmente, dramática, mas também, e sobretudo, de um modo estilizado e único, ou caracterizado e desafiante o suficiente para, ainda hoje, ser considerado uma das obras mais influentes da Sétima Arte.

O filme pode ser dividido em três partes: o julgamento, a prisão e o acto final. Todas elas envolvidas e dominadas pela protagonista (a essência e o tal simbolismo) - a mulher por detrás do sucesso e da obra-prima: Joana d’Arc, interpretada por Maria Falconetti.

Na verdade, se o filme por si só é genial, muito é devido à sua heroína, logo indissociável da prestação da actriz. O rosto retratado da mesma, em extremos close-ups, é a imagem de marca da obra, para efeitos práticos ou teóricos, se nos remetermos ao subconsciente. E é nessa componente invisível e simbólica que a força da sua interpretação se destaca, e a sua presença se revela em todo o seu esplendor. O próprio Dreyer referia que havia algo no rosto de Falconetti que o hipnotizava. “Havia uma alma atrás daquela fachada”, dizia. E de facto, ela passa tudo o que precisamos saber, e sentir, apenas com a sua expressão, sendo o filme uma autêntica sinfonia (porque a música também é ela presença assídua) de emoções e de expressões. A sua performance consegue ir de um extremo ao outro. Transmite com igual eficácia a tristeza e a dor quanto a alegria e o conforto interior de uma mulher condenada à morte, mas às tantas resignada e convicta do seu papel. No fim, atinge uma expressão quase angelical, o que é extraordinariamente belo e comovente.

Sem maquilhagem (aliás, o realizador expandiu essa opção para todo o elenco), a actriz explora todos os músculos e todas as nuances do seu rosto, ficando-se quase só por aí, dado a solução arquitectada por Dreyer no filme, em que os close-ups desconcertantes e as aproximações (com forte sentido metafórico e de pormenor) cimentam um estilo e a estrutura-base de toda a filmagem. Falconetti restringe-se, assim, às expressões faciais, tão ou mais exigentes que as restantes, e a câmara como que não larga a protagonista, quase sufocando o espectador, que não tem solução senão sujeitar-se ao talento (e ao sofrimento) constante e ininterrupto da encenação de uma personagem entregue às mãos do destino (e de uma decisão meramente formal e premeditada). É, no mínimo, impressionante a transmissão e os sentimentos que passa Maria Falconetti.

A actriz, que não mais participou em filme algum, entregou-se totalmente ao papel, numa actuação de uma vida, literalmente. Experiência fortemente emocional, que somada ao formalismo e ao rigor da filmagem de Dreyer, devem ter tido repercussões na própria, que renunciou para sempre a uma carreira tão promissora. Fica-nos, apesar de tudo e por isso, uma iluminada e transcendental interpretação de uma personagem historicamente relevante, e de uma mulher a todos os níveis poderosa. Das mais sonantes interpretações femininas na história do Cinema.

Texto originalmente publicado na iniciativa 'Um Filme, uma Mulher' do blogue Girl on Film

1.6.13

1 Tema, 3 Filmes (7)

A Infância

Aniki Bóbó (1942)
Manoel de Oliveira

Los Olvidados (1950)
Luis Buñuel

Children of Heaven (Bacheha-Ye aseman) (1997)
Majid Majidi

por Jorge Teixeira e Pedro Teixeira

31.5.13

Percursos (1)

De fantasias a realidades


Inverno, fim-de-semana e sossego são provavelmente as três melhores palavras que definem o meu universo cinematográfico de infância. Tal como natal, férias e imaginação seriam também escolhas apropriadas, mas talvez mais específicas e menos abrangentes. O importante a reter é o facto de que a minha relação com a sétima arte começou, na sua maioria, com esta junção de componentes, ou se quisermos, segundo a combinação destes ingredientes, de forma a se puder falar de uma receita saborosa, completa e deliciosamente eficaz.

Não se pode dizer, contudo, que a relação ou a convivência se dava regularmente, bem pelo contrário, a magia de se assistir a um filme era até escassa e talvez por isso sempre envolvida com bastante antecipação e fascínio pelo que se seguiria. Mais uma razão pela qual géneros como a história, a guerra, a fantasia, a aventura, a acção ou a ficção científica se revelavam como predilectos. Tardes inteiras preenchidas e dominadas por universos à parte, mundos antigos ou civilizações ancestrais. Um autêntico regalo para o delírio e para a imaginação, ainda que não restasse depois grande memória ou real e total captação da história, esta mais absorvida com personagens, imagens, sensações e fragmentos musicais. Daí que exemplos de filmes desta altura sejam difíceis de salientar, senão quase impossíveis.

Estas memórias, por outro lado e convém referir, provêm essencialmente dos meios audiovisuais dominantes lá de casa - a Televisão e o VHS - porque, e infelizmente, o verdadeiro veículo e embrião, leia-se sala de cinema, era pouco frequentado, pautado unicamente uma ou outra vez em largos meses. Não existem inclusive muitas recordações de filmes assistidos neste tipo de espaços tão queridos e tão próprios desta arte, excepção feita talvez a Parque Jurássico ou a O Rei Leão (curiosamente dois exemplos que me marcaram e que foram alvos de inúmeras repetições). Serve como desculpa parcial a única sala que existia na cidade, ou o reduzido número de estreias semanais. Nada, no entanto, que o arrependimento hoje não reclame, apesar de outras artes (literatura e afins) o tenham reivindicado para si mesmas. Na altura compensou e, sobretudo, equilibrou a ânsia de histórias e escapes visuais.

Anos mais tarde, à beira de uma mudança de vida, e após este ritmo anual de pouco cinema (mais em casa e, repito, mais de memórias e de antecipação que propriamente muitos filmes), a situação inverte-se e o que era então curto tornou-se abrangente e, acima de tudo, recheado de vontade e de procura de um suposto tempo perdido. Primeiro, numa fase mais de entretenimento e prolongamento dos gostos pessoais (Braveheart - O Desafio do Guerreiro, A Vida é Bela, Mystic River, Kill Bill e O Labirinto do Fauno constituem aqui exemplos ou descobertas de maior estima), depois por uma captura e exploração de todo um cinema menos comercial e mais artístico, digamos (Kubrick, HitchcockChaplinKurosawaLeone ou até Tarkovsky, BergmanFellini, entre tantos outros, são autores ou pedras fulcrais desta fase).

A concretização de todos estes desejos deveu-se e muito à dinamização de meios como o DVD e, sobretudo, a Internet, que do pé para a mão, nos forneciam toneladas de informações e, porque não, acesso integral e exclusivo ao que foi, largos anos, tão antecipado. Listas foram feitas e um novo horizonte se deparava repetida e gradualmente à minha frente. Etapas alcançadas, países descobertos e décadas sugeridas. Depois foi tudo uma questão de paciência, insistência e prazer pelo que a sétima arte, tão altruísticamente, nos oferece. Pelo meio, algumas surpresas, ou melhor, algumas paixões que hoje definem o meu renovado gosto - como o Western (Spaghetti), o Terror ou o Cinema Oriental, nos seus largos espectros e dimensões culturais. No fundo, pode-se dizer, que a maturidade e o estudo conduziu a um aprofundamento e a uma melhor compreensão do que os filmes proporcionam, assim como a um maior leque de opções, ilegitimamente adquiridas muitas vezes, é certo, mas com um respeito e uma intenção que de outro modo nunca seriam saciados. Paralelamente, ainda se foi colmatando talvez a minha maior falha - idas regulares e semanais a uma sala de cinema.

Numa curva ascendente e cada vez mais ponderada, sustentada e equilibrada, a selecção de filmes hoje em dia se dá criteriosamente por década, por país, por autor, por género, entre outros, sem qualquer restrição ou preconceito, e seja numa sala de cinema (que muito prezo regularmente), ou em casa, no conforto do lar. Portanto, o meu percurso por esta arte tem sido em crescendo, pautado de início pela nostalgia, pela magia e pela antecipação de uma boa história, passando por uma fase de maior consumo e de maior risco, até a um actual estado de solidez e de interesse crítico do papel do cinema em si mesmo. De E.T. - O Extra-Terrestre a Metropolis, de Parque Jurássico a O Bom, o Mau e o Vilão, de TitanicE Tudo o Vento Levou, de O Senhor dos Anéis a Ben-Hur, de Matrix a 2001: Odisseia no Espaço, ou ainda de O Rei LeãoBranca de Neve e os Sete Anões, entre muitos muitos mais, assim se fez, e se faz, o meu trajecto por este mundo de fantasias e realidades.

Texto originalmente publicado na iniciativa 'Wandr'rin' Stars' do blogue Wand'rin' Star