1.5.13

Cenas (4)

Lady in the Water (2006), M. Night Shyamalan


Belo exemplo de como começar uma história, de como introduzir uma temática e um universo paralelo. Se poucas dúvidas existiam de que Shyamalan é um exímio contador de histórias e um hábil explorador de ambientes e atmosferas (pesem embora os seus últimos trabalhos), esta cena retira toda e qualquer desconfiança que possa haver do senhor. Tremenda na forma como inicia o conto, apresenta as personagens, insere a narração, contempla o espaço e dá tempo à montagem. Brilhante em como ainda nos oferece uma clara harmonia entre a própria história e a música, ou até entre o desenho e a meticulosa realização. Grande cena.

30.4.13

Hero (Ying Xiong) (2002)

Herói, Yimou Zhang


Num filme em que o estilo e a forma dizem muito, é a poesia que mais se destaca. É na mesma que se limam as arestas e se articulam os contornos formais de todo o processo criativo que é este Hero. A começar pelo encaixe visual do diálogo com o guarda-roupa, passando pela junção entre música e cor, para acabar na simbiose entre a acção e o som ambiente. Uma obra exemplar nesta sua capacidade de harmonizar diversos departamentos.

Com clara influência em Rashômon (e Yojimbo, se atendermos à personagem de Jet Li) de Akira KurosawaYimou Zhang preocupou-se neste filme, sobretudo, em nos contar uma história, uma visão sobre diversos pontos de vista, que se vai construindo a ela própria, ou se vai aperfeiçoando detalhadamente à medida que avança e recua na transcrição dos acontecimentos. Cada personagem, nesta conjugação de pequenas histórias, assume uma importância tal que o seu protagonismo é extrapolado para fora do ecrã em inesgotáveis interpretações e inestimáveis transfigurações, ao ponto de nos gravar sentimentos ou pessoas e não situações. Honra, lealdade, amor, traição e sacrifício são alguns dos valores e motivações pessoais abordados e explorados na trama ou no novelo que, teimosamente, se afigura diante de nós, uma e outra vez.

A narrativa é, então, interpretada em diversas ocasiões e em constantes retrocessos ao passado, na intersecção de vários capítulos endereçados a cada um dos personagens principais, aqueles que fazem parte do núcleo e, no fim de contas, do propósito do enredo. A cada nova investida pela memória e por cenas já visitadas, novo ponto de vista, que é como quem diz, nova oportunidade de explorar as cores, os contrastes, as texturas, os movimentos e as emoções presentes ao longo das cenas e da própria mise-en-scène, talhada como nunca. Tremenda esta capacidade de reciclar ambientes e atmosferas com o mesmo vigor e sempre de forma refrescante e recompensatória.

Temos ainda, para além deste formalismo na fotografia, cenografia e guarda-roupa, confrontos de rara beleza, ou por outras palavras, acção e bailados exuberantemente coreografados segundo o cenário e o contexto presentes, e segundo o som da natureza e a alma dos intervenientes. A música, por outro lado, também interfere e se enquadra no conjunto, pelo que estes êxtases, por assim dizer e por aquilo que representam, acabam por culminar poeticamente um brilhante trabalho de realização e de argumento, sendo eles próprios um verdadeiro triunfo na arte de oferecer visual e narrativamente Cinema.

Pode-se dizer que o filme tem um potencial e uma capacidade em nos surpreender enormes, talvez exageradas mesmo, na medida em que assistimos, por vezes, ao absurdo e ao inverosímil. Mas não será esse exagero legítimo, e, sobretudo, único e característico o suficiente para nos abstermos de uma suposta credibilidade (des)necessária? Para mais vindo de um autor que incute tamanha audácia e risco, tanto na harmonia como na fruição entre uma visão (ou visões) e uma estética (ou estéticas) indistinguíveis. E isto porque, de facto, existe uma constante variedade na filmagem e na posição que a câmera assume em determinados momentos, ora de modo subjectivo e terreno, ora de forma totalmente objectiva e aérea, quase que induzindo os movimentos e os pensamentos envolvidos. Há, digamos, como que uma corrente artística que recebe e une diversas estéticas ou formas de apelar às emoções, que catapulta o resultado final para outra dimensão, literalmente.

Confluindo elementos como a água, o vento, o sol e as árvores, Herói se assume como uma combinação de ambiências e de sensações, partilhando com isso diversos campos ou panoramas, desde a montanha ao lago, ou da floresta ao deserto. Uma autêntica sincronia e espectáculo visuais, que vive essencialmente da imagem e da profundidade dos seus personagens. Numa palavra, magnífico.

Texto originalmente publicado na iniciativa 'O Cinema dos Anos 2000' do blogue Keyser Soze's Place


Jorge Teixeira
classificação: 10/10

28.4.13

Manual de Regras (2)

Quem vai à guerra, dá e leva.

Casualties of War (1989)
Corações de Aço, Brian De Palma

23.4.13

Manual de Regras (1)

Cada cabeça, sua sentença.

Reservoir Dogs (1992)
Cães Danados, Quentin Tarantino

20.4.13

Bandas Sonoras (5)

Empire of the Sun (1987), Steven Spielberg


Quase vinda de outro mundo, de outra dimensão, esta música, de seu nome Suo Gan, atravessa-nos de um ao lado ao outro, por inteiro, atingindo-nos em cheio. A única dúvida que poderá existir é se a mesma, e toda a respectiva banda sonora, está em sintonia e no mesmo patamar do filme. A resposta não poderia ser mais conclusiva - está com toda a certeza. Daquelas faixas (e daqueles momentos) para mais tarde recordar, e, porque não, para se guardar para sempre.

14.4.13

5 Grandes Filmes de Terror (4)


Nosferatu, eine Symphonie des Grauens (1922)
Nosferatu, o Vampiro, F.W. Murnau

Dracula (1931)
Drácula, Tod Browning e Karl Freund

Vampyr (1932)
Vampiro, Carl Theodor Dreyer

Nosferatu: Phantom der Nacht (1979)
Nosferatu, o Fantasma da Noite, Werner Herzog

Let the Right One In (Låt den rätte komma in) (2009)
Deixa-me Entrar, Tomas Alfredson

por Jorge Teixeira e Pedro Teixeira