24.12.12
20.12.12
TCN Blog Awards 2012: Vencedores
Foi no passado sábado que se anunciaram os vencedores, numa cerimónia que teve tanto de animada como de séria, facto que se tem afirmado, e em crescendo, ano após ano. O Caminho Largo não ganhou nas duas categorias para o qual estava nomeado, no entanto todos os prémios, sem excepção, ficaram muito bem entregues, seja pela qualidade evidente dos espaços vencedores, seja pela sua inestimável fidelidade em dar a ler regularmente opiniões e reflexões sobre o cinema. A lista dos vencedores pode ser conferida aqui.
Resta-nos desejar os mais sinceros parabéns a todos os premiados, como a toda a organização deste evento a cargo do blogue Cinema Notebook e da revista Take - cinema magazine. Que os TCN Blog Awards respirem sáude por muitos mais anos.
Jorge Teixeira e Pedro Teixeira
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Outros,
TCN Blog Awards
14.12.12
11.12.12
10.12.12
Cenas (1)
Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (1966), Sergio Leone
Um das melhores cenas que já assisti – estratégica e exímia no detalhe e na tensão exteriorizada. A cena diz respeito ao duelo final do filme The Good, The Bad and the Ugly (título inglês), numa típica conclusão da fábula, mas atípica na forma como brinca e explora o ritmo narrativo e musical da mesma. O modo como alterna momentos de silêncio com a música 'lá em cima', como balança do close-up à panorâmica, ou como divide o espaço e o tempo entre os três protagonistas, é absolutamente divinal. É tanto capaz de nos transportar à exaltação e à catarse, quanto à concentração e ao desfruto de pormenores de um filme todo ele genial. O contributo de Ennio Morricone é decisivo para o bailado e para a sinfonia que desfila diante de nós numa clara simbiose entre o que vemos e o que ouvimos, entre música e imagem. Mas a própria edição de som (até no silêncio total) é deliciosa, definidora também da tensão e da construção deste clímax.
Sergio Leone é o génio por detrás das câmaras, é o artífice que manipula os estereótipos (o Bom, o Mau e o Vilão nem sempre reflectem as acções dos homónimos personagens, havendo como que uma mistura constante entre eles, bem visível neste caso através das expressões faciais) e as dinâmicas imprimidas no ritmo e na edificação, passo a passo, da montagem de toda a cena.
Pela antecipação, pelo trabalho, pela substância e por tamanha qualidade em diversos departamentos, tenho poucas dúvidas de que este é um dos climaxes mais bem planeados e executados de sempre. Daqueles momentos onde a arte se confunde com o entretenimento, ou melhor, onde a arte é assimilada por inteiro e por todos.
Texto originalmente publicado no ciclo 'Western Spaghetti' do blogue My One Thousand Movies
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Il Brutto Il Buono Il Cattivo,
Recortes
8.12.12
Em resposta ao artigo escrito por Mourinha "às criancinhas"
Saiu no suplemento Ípsilon, do jornal Público de 30 de Novembro passado, um texto que não pode deixar de suscitar uma reacção. Com o título "A evolução da alternativa ao academismo contada às criancinhas", esse artigo de opinião versa, em tom de escárnio, sobre a situação presente da revista francesa Cahiers du Cinéma, contraposta aos anos históricos da sua afirmação no mundo. O seu redactor, o crítico de cinema Jorge Mourinha, "conta às criancinhas" a história da revista e o seu impacto nos modos de ver, dar a ver e fazer Cinema. Diz, a certa altura, que a política de autores tem vindo a "impor globalmente" uma "oposição comummente aceite entre 'cinema comercial' e 'cinema de arte' ou 'cinema de autor'". Percebemos que Mourinha sabe que os Cahiers procuraram precisamente “confundir” essas etiquetas redutoras entre o que é comercial e o que é arte; que viram arte no comercial (caso de Hitchcock) e comercial na arte (caso dos autores "burgueses" da Tradição da Qualidade, que Truffaut denunciou como a tendência mais funesta do cinema francês). Contudo, não entendemos onde está a lógica em afirmar que o que corresponderia hoje a defender, como o fizeram na altura os críticos dos Cahiers, realizadores como Hawks e Hitchcock, seria "erguer a 'autor'" um cineasta como Christopher Nolan, "coisa que aos Cahiers hoje, entrincheirados no academismo que eles próprios criaram, nunca passaria pela cabeça."
De repente, Mourinha sonega toda a história que se segue à formulação da "política de autores": nada mais que a emancipação do Cinema a nível mundial. O que Mourinha propõe é olharmos para o cinema comercial como os críticos dos Cahiers souberam olhar no seu tempo, mas como se a dimensão autoral fosse indissociável da natureza comercial ou não do filme em análise. Os Cahiers não estabeleceram que TODO o cinema de autor tem de ser cinema comercial; disseram que o cinema de autor pode nascer de uma conjuntura económica e política adversa à liberdade artística do criador. Entre o "pode" e o "tem" cabe o mundo — claro que para Mourinha, como a última produção de Nolan é cinema de autor, coisa que este arruma só pelo facto de "dizer que assim é", então Nolan é o novo Hawks ou o novo Hitchcock e... Mourinha o novo Truffaut?
O que os críticos dos Cahiers fizeram foi — e voltamos a usar o termo "vitimizante" de Jorge Mourinha — "impor" a liberdade de se ver cinema muito para lá dos sistemas de gosto instalados — esses sim, foram as vítimas da sua crítica. Os Cahiers propuseram um "novo olhar" livre de preconceitos tal como não foi de modo algum imposto um novo preconceito que dita que todo o cinema comercial americano está destituído de dimensão autoral, ou então Spielberg não teria visto o seu "War of the Worlds" ser considerado pela revista "só" o oitavo melhor filme da primeira década do novo milénio... Ou M. Night Shyamalan não teria merecido a consagração que nunca teve — e algum dia terá? — no seu próprio país.
Mais à frente, o crítico do Público diz: "Muitos dos nomes que os Cahiers defendem na sua lista como cineastas livres fazem parte do academismo do cânone 'autorista', ao qual pertencem em alguns casos mais pela sua postura perante o cinema do que pelos filmes em si." Como pode a "postura sobre o cinema" não estar nos "filmes em si", ou melhor, onde foram os críticos dos Cahiers buscar essa postura que não nos filmes? Parece-nos evidente que Mourinha, por não tolerar, por exemplo, o cinema de Ferrara, sente-se no direito de tomar toda a linha editorial dos Cahiers por ortodoxa ou académica ou, no limite, "conformada" — um de nós também detestou o último Coppola, o outro não considera “Holy Motors” como merecedor de inclusão em Tops dos melhores do ano, mas vê-los na lista da Cahiers lembra-nos como é sempre possível um olhar diferente sobre o mesmo objecto...
Mourinha cita Bazin para dizer que "tudo é relativo", algo que o crítico do Público não põe em prática quando se mostra incapaz de: aceitar a diversidade de proveniências do Cinema, reconhecer o lugar que os Cahiers ocuparam e ainda procuram ocupar no desafio aos unanimismos e aos "gostos maioritários" e — detenhamo-nos, por fim, neste ponto — respeitar a diversidade de visões sobre um filme provenientes de fontes como os, segundo Mourinha, “blogues que multiplicam opiniões”.
Recordamos que a presente indignação ao artigo publicado pelo suplemento Ípsilon nasce na própria comunidade blogger cinéfila portuguesa, uma comunidade liberta de linhas editoriais que não a instituída pelo próprio blogger em prol de uma reflexão cinematográfica anti-consensual, inclusive geradora de alguns futuros profissionais do cinema português e que, em toda a sua natureza, pluralidade, virtudes e defeitos, revela-se um dos espaços mais férteis e inconformados no que toca ao debate sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte.
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5.12.12
Entradas e Saídas (2)
O tempo, uma vida, as paixões. Se por vezes encontramos conforto e motivações regular e periodicamente, outras há que o estímulo só surge duas ou três vezes em toda uma existência. Estímulo esse que, contudo, se poderá revelar esmagador, inesquecível e por isso imortal, tanto mais recompensador que meras pontualidades. É o caso deste The Bridges of Madison County, ou do seu par protagonista e respectiva história, tão curta e preenchida tal qual um atalho útil mas sem saída.
Um início calmo, típico, rotineiro, que estreme, balança e quase se vira a meio, na re-descoberta de viver e deixar-se viver, para no fim equilibrar-se (na tal tangente normal e angustiante), voltando assim à estabilidade e conformidade temporariamente deixadas.
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The Bridges of Madison County












