Raging Bull (1980), Martin Scorsese
Pertencente ao interlúdio da aclamada e famosa ópera Cavalleria Rusticana de Pietro Mascagni, este tema torna-se o elemento chave, qual cereja no topo do bolo, para a derradeira imortalidade e sucesso da obra de Scorsese. Na ausência de banda sonora, a presença desta música como que ainda ressoa, e a cena correspondente inicial perdura até aos dias de hoje, no que será provavelmente uma das melhores entradas de sempre de que o cinema já produziu. Transcendente e de rara poesia.
Por intermédio desta faixa, inserida no início e no final do acto (curiosamente os extremos do seu propósito original), o filme ganha todo um sentido mais uno, cíclico e completo, como uma porta que se abre e que se fecha quando já se contou tudo o que havia para contar, quando uma vida deixa de ter reflexões e memórias que valham a pena partilhar. Arrancamos, assim, de forma fulgurante, e porque não mágica, para uma experiência avassaladora, no seu núcleo fria e silenciosa, mas poderosa que baste e que se exceda, para no fim regressarmos novamente à contemplação e introspecção de uma autêntica lição de vida.
















