12.1.13

Torneio Interblogues: Meias-finais

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O período de votação terminou e os vencedores dos quartos-de-final estão encontrados. São eles: o Caminho Largo, o CINEdrio, o Dial P for Popcorn e o Shut up and watch the movies. Orgulhosamente, o Caminho Largo saiu vitorioso neste primeiro encontro, que se revelou, ao que parece, entusiasmante e bastante animado, sendo que o Rick's Cinema sai fora da competição mas de cabeça erguida - desejamos-lhe melhor sorte numa próxima edição do torneio. Este, que por seu lado, continua e as meias-finais já aí estão com os jogos definidos e prontos a decorrer. Conferir o alinhamento e mais informações aqui.

Segundo a grelha e o sorteio inicial, o Caminho Largo FC tem então como oponente nas meias-finais a equipa do blogue CINEdrio, anfitriã e actual campeã do torneio, pelo que a tarefa se antevê dificílima - tão somente impedir a revalidação do título frente a um dos melhores conjuntos que esta competição já recebeu. Desta feita, e em primeiro lugar, respeitar o adversário e desejar-lhe a maior sorte para os noventa minutos de jogo, bem como partilhar a táctica pelas justificações teóricas de ambas as equipas Caminho LargoaquiCINEdrioaqui. Os esquemas tácticos das equipas em campo encontram-se na imagem abaixo. Segue-se de seguida a uma pequena análise das dificuldades e mais-valias dos colectivos no confronto em perspectiva.

2.º Confronto: 
(a preto)  Caminho Largo  vs.  CINEdrio (a azul)

Antes de mais, realçar que dois dos jogadores em campo estão em ambas as equipas, como que dividindo-se em dois - não fossem eles verdadeiras estrelas: o experiente e veteraníssimo Clint Eastwood e o genial e irreverente Quentin Tarantino. Outra curiosidade é que ambos se encontram, sensivelmente, na mesma área do campo - Eastwood à defesa e a trinco, e Tarantino a avançado e a extremo.

Focando-nos mais nas equipas e no confronto, constata-se de imediato, uma sólida defesa adversária, com tanto James Gray e o já citado Eastwood a constituírem uma dupla imponente, como ainda com Carpenter e Friedkin a preencherem os corredores respectivos de modo absoluto e autoritário. Juntando Benning ao conjunto, tem-se uma linha defensiva de meter qualquer atacante em sentido, se bem que se espera que Tarantino, Kusturica e Lynch consigam ainda assim baralhar e desviar alguns destes elementos. E a ver pelo rumo e pela ausência espiritual de dois deles actualmente, até se torna plausível que isso possa acontecer. Fala-se de Eastwood e de Carpenter, respectivamente. 

Por outro lado, teme-se também a meio-campo Malick e Ti West, facto que apenas se poderá equilibrar com os deslizes que Shyamalan e Van Sant têm tido, e já tiveram, nas suas carreiras. Para além da segurança que se deposita em Herzog e Scorsese na recuperação e imaginação dos lances.

Na defesa e respectivo ataque adversário, aguarda-se investidas poderosas, não fossem Godard e Tarantino povoaram esta zona. No entanto, não será fácil penetrar no jogo mental e corporal que Kar-Wai, Cronenberg, Polanski e Yimou detêm, assim como na excelente capacidade de voo e concentração que Miyazaki possui. No geral, o embate antevê-se complicado, talvez demasiado táctico, em que as bolas paradas terão provavelmente um papel decisivo. Noutro sentido, as jogadas individuais poderão e deverão fazer moça em ambas os conjuntos, naqueles lances que furam e desequilibram qualquer táctica, planeada antecipadamente por Ozu e por Fuller - os treinadores respectivos das equipas do Caminho Largo e do CINEdrio

Após a reflexão, já sabem, não se esqueçam de votar aqui (barra lateral esquerda) ou directamente aqui. Podem e devem também conferir o outro encontro das meias-finais votando aqui. As votações terminam na próxima sexta-feira, pelo que se apressem a escolher a equipa com que se identifiquem mais ou a que achem que mereça a vitória e consequente lugar na final.

8.1.13

Blogs do ano 2012: Nomeados 1ª Fase



O Caminho Largo está, mais uma vez, nomeado a um prémio, no caso aos Blogs do ano 2012, iniciativa promovida pelo blogue Aventar, na sua já segunda edição. Ainda se encontra também nomeado a Blog Revelação no âmbito da mesma iniciativa. O concurso, assim apelidado, deseja acima de tudo divulgar e dar a conhecer mais e melhor de toda a blogosfera portuguesa e de língua portuguesa, não só no Cinema, como também em diversas outras áreas transversais à actualidade, ao desporto, à cultura, etc. Nessa medida, existem categorias e blogues nomeados um pouco para todo o gosto.

O concurso está estruturado em duas fases, sendo esta a primeira, em que dos imensos blogues nomeados sairão apenas 5, os mais votados, que numa segunda fase discutirão entre si o troféu, digamos. Daí que, mais do que nunca, o voto do público é essencial, não fosse precisamente esse o objectivo principal, e por isso, o apelo a que votem e que escolham os blogues que mais preferem dentro da área e categorias respectivas. Caso o voto recaia no Caminho Largo, agradecemos muito.

Para votar basta ir ao blogue Aventar e seleccionar a vossa preferência nas várias categorias gerais aqui (procurar a de Cinema preferencialmente) e na de Blog Revelação aqui. As votações desta primeira fase terminam no dia 19 deste mês (atenção que se pode votar diariamente).

Jorge Teixeira e Pedro Teixeira

7.1.13

Por uma definição justa de pirataria



A pirataria é um mal que paira sobre a Humanidade. Todas as semanas, navios de praticamente todas as nacionalidades correm grandes riscos de serem abordados por piratas somalis nos Mares Arábico e Índico. Enquanto isso é um atentado à integridade física de pessoas e um roubo de produtos físicos - e a também antiga contrafacção de artigos coloca em risco a vida ou a saúde das pessoas - os governos e entidades mais ou menos oficiais preocupam-se principalmente com um tipo de pirataria bem mais ofensivo ou perigoso: a democratização do conhecimento cultural, através da partilha de conteúdos digitais.

Os conteúdos digitais foram uma invenção da indústria. Dando variedade de formatos e portabilidade, tencionavam vender mais, mais depressa e com maior lucro. E tal como no tempo dos gravadores de VHS, os consumidores contornaram as regras. Se há vinte anos as revistas apoiavam o consumidor fornecendo capas e códigos para gravar à hora certa, agora são os próprios fornecedores de serviços televisivos a permitir a gravação e visionamento posterior com um mínimo de esforço. E isso é legal porque, apesar de os fabricantes de conteúdo não gostarem, como são empresas que o fazem pagam impostos, continua a ser negócio. Os consumidores agradecem o serviço prestado.

Vender DVD contrafeitos é ilegal. Porque nesse cenário não ganha quem faz o conteúdo, nem quem o vende paga impostos sobre o seu trabalho. O consumidor agradece pagar menos do que por um bilhete de cinema ou uma cópia oficial e, como os tempos estão difíceis, já sente que é justo cortar numa despesa “supérflua” como é o entretenimento. Disponibilizar conteúdos online equivale ao anterior porque, atingindo determinada escala, começa a arrecadar quantias consideráveis de dinheiro com a publicidade.

E se quem os coloca online não estiver a ter lucro, nem a roubar a ninguém? Esse era o caso do blog My One Thousand Movies. Os três mil filmes que tinha eram clássicos que não se encontram à venda nem passam na televisão. Pretendiam dar a conhecer o património cinematográfico da humanidade. Serviam para descobrir cineastas esquecidos e obras de culto, mas com pouca resolução para que ninguém se sentisse tentado a ficar com essa versão em vez de se dedicar a procurar no mercado convencional de importação uma versão melhor. Outra vantagem é que no My One Thousand Movies todos os filmes tinham legendas em português ou numa língua mais ou menos compreensível. Na importação não.

Dia 16 foi fechado pela Google sem qualquer aviso por incentivo à pirataria. Estamos a falar de filmes quase impossíveis de encontrar no mercado, que em nada rivalizavam com a versão comprada, se existisse uma, e que tinham no máximo uma centena de downloads provenientes de todo o mundo, não apenas de Portugal. O que o My One Thousand Movies fazia era complementar (ou substituir) a missão da deficiente televisão pública de educar cinéfilos. Muitos bloggers recorreram a este repositório para rever um título acarinhado, ou, a partir do filme e da pequena resenha que o acompanhava, fazerem publicações com as quais muitas outras centenas de pessoas ficaram com vontade de descobrir um cinema marginal e esquecido. Isto não é pirataria, é serviço público, e é preciso (re)definir o enquadramento legal adequado.

Se alguém errou no meio disto tudo foram as distribuidoras que não viram interesse em comercializar os filmes. Ninguém o pode ver porque não compensa comprar os direitos e fabricar para pouca gente? Sugeríamos que houvesse um videoclube online no qual, por um valor simbólico, se pudesse ver o filme contribuindo para a distribuidora. A distribuidora não teria encargos com a manufactura de cópias físicas que ficariam a ocupar espaço em armazém. Os consumidores exigentes encontrariam o que queriam imediatamente sem remexer em caixotes de promoções nas superfícies comerciais. Os retalhistas não estão interessados em ter uma cópia única de milhares de filmes que poderão nunca vir a comercializar, mas estariam interessados em vender cartões pré-pagos de acesso a esse serviço, como fazem para as consolas. Se o preço fosse suficientemente baixo toda a gente poderia espreitar e talvez descobrir algo único.

Enquanto este tipo de serviço não existir, estaremos sempre dependentes da boa vontade, dedicação e cultura de pessoas como o autor do MOTM. Mesmo que achem que isso vai contra a lei. De todos nós, obrigado.

Signatários:
Ana Sofia Santos - Cine31 / Girl on Film
André Azevedo - BD no Sótão
André Marques - Blockbusters
António Tavares de Figueiredo - Matinée Portuense
Armindo Paulo Ferreira - Ecos Imprevistos
David Martins - Cine31
Eduardo Luís Rodrigues - EddyR Corner
Francisco Rocha - My Two Thousand Movies
Gabriel Martins - Alternative Prison
Inês Moreira Santos - Hoje Vi(vi) um filme / Espalha-Factos
Johnny Kino - O Desconhecido do Norte Expresso
Jorge Rodrigues - Dial P for Popcorn
Jorge Teixeira - Caminho Largo
Luís Mendonça - CINEdrio
Manuel Reis - Cenas Aleatórias / TV Dependente
Miguel Lourenço Pereira - Cinema
Miguel Reis - Cinema Notebook
Nuno Reis - Antestreia
Pedro Afonso - Laxante Cultural
Rita Santos - Not a Film Critic
Victor Afonso - O Homem que Sabia Demasiado

5.1.13

Torneio Interblogues: Quartos-de-final

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O sorteio já foi realizado e as equipas devidamente emparelhadas. Ditou-se que o Caminho Largo FC defrontará a equipa do blogue Rick's Cinema. O confronto e os esquemas tácticos das equipas em campo encontram-se na imagem mais abaixo. O duelo decidir-se-á por votação online, já em curso e aberta até à próxima sexta-feiraOs restantes encontros relativos aos quartos-de-final da competição também já se encontram decididos. Para saber o emparelhamento, outras informações, bem como e onde votar, basta seguir para o blogue CINEdrio (votações na barra lateral esquerda), o organizador desta  iniciativa. Relativamente ao confronto em questão e antes de mais, conferir as justificações/argumentos e os sistemas de jogo adoptados pelas duas equipas - Caminho Largo: aqui. Rick's Cinema: aqui.

O encontro antevê-se animado e carregado de emoção, não fosse o duelo ter na sua constituição jogadores como Steven Spielberg, James Cameron, Hayao Miyazaki, Wong Kar-Wai ou Zhang Yimou. Por outro lado, presenças como Manuel de Oliveira, Takeshi Kitano, Werner HerzogClint Eastwood, Martin Scorsese ou até Roman Polanski conferem uma experiência e um temperamento menos sensacionalistas e influenciáveis, e logo, mais frios e calculistas no acto de praticar e dar a praticar futebol. Para estes e outros prognósticos, procede-se em seguida a uma análise mais detalhada.

1.º Confronto: 
(a preto)  Caminho Largo  vs.  Rick's Cinema (a azul)

No encaixe dos dois conjuntos é notório, logo à partida, algumas conflituosidades, nomeadamente de penetração no eixo central por parte de Scorsese - Hazanavicius, Kitano e Miike parecem estabelecer uma autêntica fortaleza - tal como, no outro extremo do campo, se antevê trabalhos redobrados (ou imprevisíveis) para a dupla canadiano-polaca (Cronenberg e Polanski), visto que Ang Lee e Christopher Nolan detêm bastante vitalidade (e actuais euforias) que bem podem fazer moça, como aliás, Cameron também ainda o possa fazer. A propósito, Cameron não parece ter o estofo, que talvez já tenha tido, para a posição de nº 10, de forma a balançar o ataque rodeado da defesa que está.

Não se esperam, por isso, ataques constantes, nem tão pouco mortíferos, uma vez que de inconstâncias se têm regido, ao longo das suas carreiras, estes jogadores da frente atacante adversária. À semelhança dos laterais Richie e Spielberg quando estão no ataque, mas, sobretudo, quando posicionados na defesa, onde o Caminho Largo poderá aproveitar e incidir mais e insistentemente. Prevê-se, aliás, alguma permeabilidade nessas alas, de modo a se obter perfurações até à linha de fundo e consequentes cruzamentos, tanto por Tarantino como por Kusturica. Lynch, esse estará lá, sem qualquer dúvida, à espera de finalizar e de surpreender Hou, o guardião contrário.

No seu todo, o onze a "azul" revela-se estável, sendo que as laterais são o seu ponto mais débil (o ataque por vezes também) e a defesa um dos seus pontos fortes, ainda que talvez a zona de maior valor seja mesmo o primeiro e segundo terços do meio campo, com Miguel Gomes e Manuel de Oliveira, dois sólidos e irreverentes jogadores portugueses, que de tudo farão para defender e construir jogo, pelo que, provavelmente, Ozu enveredará por uma táctica mais coesa e concentrada, com especial cuidado nesse troço. Aliás Yasujirô Ozu, qual pensador e treinador, arquitectará, com toda a certeza, uma adequada e condizente estratégia para alcançar a desejável vitória. A ver vamos, sendo que o triunfo para o Rick's Cinema seja igualmente possível e justo. Acima de tudo, que ganhe o melhor!

Para isso, não se esqueçam de votar e conferir os outros encontros aqui (barra lateral esquerda) ou directamente aqui. As votações terminam na próxima sexta-feira, pelo que, o quanto antes, escolham o vosso preferido ou aquele que vos pareça deter mais capacidade/qualidade na presente eliminatória.

28.12.12

Torneio Interblogues: Estágio

A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty: 2ª Edição


O Caminho Largo aderiu ao convite, e ao Torneio Interblogues, organizado pelo blogue CINEdrio, no âmbito da 2ª Edição da iniciativa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty, e formou a sua equipa, o seu onze ideal de cineastas representativo da "política desportiva" mais (omni)presente neste espaço. O seu campo de autores, por assim dizer, ainda que limitado, uma vez que só alinham "jogadores" (realizadores) que estejam no activo e que, na prática, se complementem entre si.

Entretanto, os atletas convocados já se encontram em estágio, e a treinar, sendo que a competição entre as várias equipas (blogues) começará dentro em breve, após o sorteio dos quartos-de-final. Assim que estiverem ditados e organizados os jogos, serão publicados aqui, oportunamente, o adversário e a data do primeiro jogo (período da votação) relativos à equipa deste blogue e de todos os outros concorrentes em competição, bem como das fases seguintes do torneio até à final. Para mais informações, e para a apresentação geral de todas as equipas, basta seguir e explorar o blogue CINEdrio ou mais especificamente aqui.

Sem mais demoras, o Caminho Largo FC é então constituído pelos titulares que estão na imagem abaixo, num esquema táctico em 4x3x3. As devidas justificações para cada escolha ou jogador na respectiva posição, e as estratégias e relações entre eles, expõem-se em seguida.

Guarda-redes: Hayao Miyazaki - Sereno, tranquilo, de larga amplitude e análise de jogo, com boa antecipação e sentido posicional, que se transcende por vezes, como que voando e anulando um golo quase certo. Gosta de lançar, em passes longos, contra-ataques improváveis para a maioria, mas concebíveis para ele e para David Lynch, seu parceiro nestas jogadas (aventuras). Algo isolado do resto do grupo, vive num mundo à parte, por assim dizer, no entanto, e na altura certa, o japonês tem sempre uma mensagem de força e de reserva para os companheiros, motivando-os, e por isso assumindo um papel importante na equipa - espécie de porto seguro, onde recorrer, nos bons e maus momentos.

Defesa esquerdo (lateral): Kar Wai Wong - De uma visão e abrangência únicas, capaz de defender (e segurar) tudo e todos como de se projectar para a frente com uma improvisação e provocação admiráveis. Daí que se adapte a extremo, explorando a ala esquerda com bastante dinamismo e elegância até, ao ponto de disputar, em certas abordagens, o lugar com Tarantino (titular da posição). Mas é na gestão de todo o corredor que o chinês se sente mais à vontade. É com a sua capacidade em ler o adversário sem bola, interrompendo ataques e contra-ataques, e na simultânea recuperação de investidas mais ofensivas, que está o seu grande valor.

Defesa central (esquerdo): David Cronenberg - Escasso em recursos, mas eficaz, inteligente, duro (física e psicologicamente) e regular. Tem uma personalidade distinta em campo, impondo respeito aos adversários, que por norma não passam pelo canadiano. Em último caso, descarrega mesmo um choque prévio corpo a corpo. O seu ar aparente de poucos amigos, dá-lhe a autoridade e o domínio emocional tão úteis à defesa e em certos momentos de fraqueza da equipa, pelo que não será de estranhar o seu carácter mais distante e frio nas fases opostas de festejo. Sendo o patrão da defesa, raramente é relegado ao banco, mesmo em jogos de relativa importância, tal a sua solidez, regularidade e capacidade física (nunca se lesionou em toda a sua, já longa, carreira).

Defesa central (direito): Roman Polanski - Metódico, certo, detém pouco espaço de manobra mas é exemplar e limpo nos lances. Geralmente contido, pautado, mas aqui e ali explosivo, sobretudo na raça e determinação que executa os cortes.  Possuidor de um jogo e de uma maneira de estar em campo em muito semelhante à do seu ídolo, à sua influência (assumida) - o astro lendário Alfred Hitchcock - no calculismo e disciplina táctica. Complementa-se muito bem com Cronenberg, dobrando o adversário quando o companheiro não pode, formando em conjunto uma terrível e assustadora dupla de centrais. O polaco ainda sobe com frequência à grande área inimiga, especialmente em lances de bola parada onde faz valer a sua estratégia e o seu bom jogo aéreo (mental).

Defesa direito (lateral): Yimou Zhang - Com os seus altos e baixos, é jogador para se concentrar tanto no detalhe (num adversário), como em todo o campo, abrindo o corredor (e o ângulo) só para si. Exuberante e extrovertido dentro e fora do espectáculo, não se encontra de momento na sua melhor forma, muito embora a qualidade e a criatividade do chinês estejam lá, facto que por si só justifica alguns rasgos de perfeita execução e ilusão de que os espectadores são testemunhas. Tem ainda um forte sentido de camaradagem, sendo que tem uma amizade particular com o compatriota Kar Wai, seu colega de treino desde os juniores da selecção chinesa.

Médio defensivo (esquerdo): Werner Herzog - Poderoso, autêntico, sem meias medidas. Um trabalhador nato, que faz um pouco de tudo, explorando o terreno como ninguém. Encara cada partida como a última, debatendo-se incessantemente em verdadeiras batalhas campais (naturais e humanas). Transmite por isso segurança à defesa e confiança ao treinador, a provar está o facto de o alemão ser o jogador que habitualmente mais quilómetros contabiliza e mais jogos faz durante uma época inteira. É ainda, o atleta mais polivalente de todos os titulares, aquele que, prescindindo do seu posto, preenche a vaga ou a lacuna temporária antes de substituições forçadas (com menos um no onze, recua muitas vezes, fazendo de terceiro central ou inclusive de lateral), e portanto, provavelmente o peão mais útil na estratégia da equipa.

Médio defensivo (direito): Clint Eastwood - Autoritário, concentrado, com tempo e noção de espaço. Clássico no estilo, passa despercebido na maior parte dos encontros (há até quem o chame "o homem sem nome"), mas é peça fulcral para a estabilidade do esquema táctico adoptado. Segura a retaguarda ao mesmo tempo que prepara e lança a construção de jogo. Tem pouquíssimas falhas. A regularidade, a força que transmite e o facto de ser o mais antigo jogador do plantel, dão, há muito, o título de capitão de equipa ao americano. Doutra geração que a maioria dos seus companheiros, confere ao grupo, tanto em campo como no balneário, a tranquilidade necessária, acima de tudo, na gestão de resultados. Senhor ainda de um poderoso remate, reflectido em exímios livres directos que são de uma precisão e versatilidade por vezes algo surpreendentes e refrescantes num jogador em que a idade tem sido sinónimo de qualidade.

Médio centro (n.º 10): Martin Scorsese - Notável, criativo, genial no passe e na visão periférica. Organizador e manipulador de todo o jogo. Produto de uma geração de ouro (à época de novos talentos), é acima de tudo, um executante das estratégias planeadas (e treinadas) e inventor, não raras vezes, de soluções urgentes. Impecável tacticamente, o mestre, tal como é chamado, preenche cada metro e cada minuto com o seu talento e magia na condução da bola, ora lenta e construtiva, ora rápida e fracturante. O n.º 10 por excelência, que balança entre a experiência adquirida e a variedade e técnica alcançadas. Detentor ainda de mudanças de velocidade e compensação a todos os níveis espantosas. Daí que o génio e colosso americano mereça o orgulho do treinador, o respeito dos colegas e a admiração dos adeptos.

Avançado esquerdo (extremo): Quentin Tarantino - Volátil, ousado, irreverente, brilhante com a bola nos pés, seja a assistir, seja a fintar e a brincar com o adversário no um para um. Nem sempre defende e é demasiado individualista, mas acaba por equilibrar com a energia e aceleração dos seus arranques até à linha de fundo - que o ponta-de-lança agradece. De palavra (e insultos) fácil, é sobretudo com a incerteza e a auto-estima que joga e deslumbra o público. Daqueles jogadores que levantam um estádio, quebram mecânicas de treino e reciclam jogadas improváveis. É americano, mas geralmente possui um estilo de jogo "à italiana" - muitos o consideram mesmo um descendente do antigo craque Sergio Leone - alternando entre jogadas "de perto", no passe e na finta, e jogadas de longo alcance, no cruzamento e na desmarcação. Inversamente, também se desmarca, principalmente nas constantes combinações que faz com Scorsese da esquerda para o meio, concretizando desse modo muitos contra-ataques.

Avançado direito (extremo): Emir Kusturica - Ágil, mutável, imprevisível, atrevido. Se Tarantino brinca, Kusturica por vezes humilha os adversários com os seus dribles mirabolosos. Com inspiração e em arrancadas individuais, o sérvio resolve encontros sozinho, sendo que é mesmo a arma secreta para o treinador. Uma espécie de promessa em cada jogo e em cada época. Daí que fique algumas vezes no banco, caso seja necessário uma dinâmica e criatividade extras numa segunda parte ou quando o resultado assim o exigir. De todos os jogadores, é o mais brincalhão e a alegria do balneário. É o que lida melhor com as entrevistas e o que invariavelmente mais interage com os adeptos, inclusive da equipa adversária (com provocação e ironia).

Ponta-de-lança: David Lynch - Famosa estrela americana. É a mais recente e mais cara aquisição do plantel. De extrema habilidade, na recepção e domínio de bola (mesmo na confusão total), é um jogador absolutamente soberano dentro da sua área de influência. Com a mesma facilidade, tanto marca de cabeça como com o pé. Revela-se, por isso e constantemente, uma surpresa e, jogando muito de costas para a baliza, rompe a defesa contrária inúmeras vezes, finalizando sempre de maneira diferente com o seu toque de bola e cunho pessoal. É, contudo, ainda mais mortífero na marcação de grandes penalidades - segundo alguns colegas, em toda a sua carreira falhou apenas dois - e isolado frente a frente com o guarda-redes, em que raramente falha. Grande ponta-de-lança, que é um regalo e uma certeza para qualquer amante de futebol.

Treinador: Yasujirô Ozu - De perfil calmo, atento, quase estático por vezes, é um treinador que sabe esperar e que tem perfeita noção da abordagem e enquadramento que pretende, perante o contexto e o adversário que enfrenta. Normalmente, tem tudo pensado, a cadência de passe, as substituições, as marcações, os planos b e c, os contra-tempos e o anti-jogo, digamos. Analisa e prepara meticulosamente cada encontro, tendo invariavelmente em campo uma postura séria e consciente, olhando e avaliando o encaixe das duas equipas e respectivas tácticas sempre num plano mais térreo, mais real - no fundo, o seu, o de treinador (que não abdica, em qualquer circunstância), e portanto, nunca visões de cima, de bancada. Antiga estrela asiática que tem igualmente tido bastante sucesso na carreira de treinador - a prova são os êxitos dos últimos anos com este conjunto de titulares, que o próprio construiu.

20.12.12

TCN Blog Awards 2012: Vencedores



Foi no passado sábado que se anunciaram os vencedores, numa cerimónia que teve tanto de animada como de séria, facto que se tem afirmado, e em crescendo, ano após ano. O Caminho Largo não ganhou nas duas categorias para o qual estava nomeado, no entanto todos os prémios, sem excepção, ficaram muito bem entregues, seja pela qualidade evidente dos espaços vencedores, seja pela sua inestimável fidelidade em dar a ler regularmente opiniões e reflexões sobre o cinema. A lista dos vencedores pode ser conferida aqui.

Resta-nos desejar os mais sinceros parabéns a todos os premiados, como a toda a organização deste evento a cargo do blogue Cinema Notebook e da revista Take - cinema magazine. Que os TCN Blog Awards respirem sáude por muitos mais anos.

Jorge Teixeira e Pedro Teixeira

8.12.12

Em resposta ao artigo escrito por Mourinha "às criancinhas"


Saiu no suplemento Ípsilon, do jornal Público de 30 de Novembro passado, um texto que não pode deixar de suscitar uma reacção. Com o título "A evolução da alternativa ao academismo contada às criancinhas", esse artigo de opinião versa, em tom de escárnio, sobre a situação presente da revista francesa Cahiers du Cinéma, contraposta aos anos históricos da sua afirmação no mundo. O seu redactor, o crítico de cinema Jorge Mourinha, "conta às criancinhas" a história da revista e o seu impacto nos modos de ver, dar a ver e fazer Cinema. Diz, a certa altura, que a política de autores tem vindo a "impor globalmente" uma "oposição comummente aceite entre 'cinema comercial' e 'cinema de arte' ou 'cinema de autor'". Percebemos que Mourinha sabe que os Cahiers procuraram precisamente “confundir” essas etiquetas redutoras entre o que é comercial e o que é arte; que viram arte no comercial (caso de Hitchcock) e comercial na arte (caso dos autores "burgueses" da Tradição da Qualidade, que Truffaut denunciou como a tendência mais funesta do cinema francês). Contudo, não entendemos onde está a lógica em afirmar que o que corresponderia hoje a defender, como o fizeram na altura os críticos dos Cahiers, realizadores como Hawks e Hitchcock, seria "erguer a 'autor'" um cineasta como Christopher Nolan, "coisa que aos Cahiers hoje, entrincheirados no academismo que eles próprios criaram, nunca passaria pela cabeça."

De repente, Mourinha sonega toda a história que se segue à formulação da "política de autores": nada mais que a emancipação do Cinema a nível mundial. O que Mourinha propõe é olharmos para o cinema comercial como os críticos dos Cahiers souberam olhar no seu tempo, mas como se a dimensão autoral fosse indissociável da natureza comercial ou não do filme em análise. Os Cahiers não estabeleceram que TODO o cinema de autor tem de ser cinema comercial; disseram que o cinema de autor pode nascer de uma conjuntura económica e política adversa à liberdade artística do criador. Entre o "pode" e o "tem" cabe o mundo — claro que para Mourinha, como a última produção de Nolan é cinema de autor, coisa que este arruma só pelo facto de "dizer que assim é", então Nolan é o novo Hawks ou o novo Hitchcock e... Mourinha o novo Truffaut?

O que os críticos dos Cahiers fizeram foi — e voltamos a usar o termo "vitimizante" de Jorge Mourinha — "impor" a liberdade de se ver cinema muito para lá dos sistemas de gosto instalados — esses sim, foram as vítimas da sua crítica. Os Cahiers propuseram um "novo olhar" livre de preconceitos tal como não foi de modo algum imposto um novo preconceito que dita que todo o cinema comercial americano está destituído de dimensão autoral, ou então Spielberg não teria visto o seu "War of the Worlds" ser considerado pela revista "só" o oitavo melhor filme da primeira década do novo milénio... Ou M. Night Shyamalan não teria merecido a consagração que nunca teve — e algum dia terá? — no seu próprio país.

Mais à frente, o crítico do Público diz: "Muitos dos nomes que os Cahiers defendem na sua lista como cineastas livres fazem parte do academismo do cânone 'autorista', ao qual pertencem em alguns casos mais pela sua postura perante o cinema do que pelos filmes em si." Como pode a "postura sobre o cinema" não estar nos "filmes em si", ou melhor, onde foram os críticos dos Cahiers buscar essa postura que não nos filmes? Parece-nos evidente que Mourinha, por não tolerar, por exemplo, o cinema de Ferrara, sente-se no direito de tomar toda a linha editorial dos Cahiers por ortodoxa ou académica ou, no limite, "conformada" — um de nós também detestou o último Coppola, o outro não considera “Holy Motors” como merecedor de inclusão em Tops dos melhores do ano, mas vê-los na lista da Cahiers lembra-nos como é sempre possível um olhar diferente sobre o mesmo objecto...

Mourinha cita Bazin para dizer que "tudo é relativo", algo que o crítico do Público não põe em prática quando se mostra incapaz de: aceitar a diversidade de proveniências do Cinema, reconhecer o lugar que os Cahiers ocuparam e ainda procuram ocupar no desafio aos unanimismos e aos "gostos maioritários" e — detenhamo-nos, por fim, neste ponto — respeitar a diversidade de visões sobre um filme provenientes de fontes como os, segundo Mourinha, “blogues que multiplicam opiniões”.

Recordamos que a presente indignação ao artigo publicado pelo suplemento Ípsilon nasce na própria comunidade blogger cinéfila portuguesa, uma comunidade liberta de linhas editoriais que não a instituída pelo próprio blogger em prol de uma reflexão cinematográfica anti-consensual, inclusive geradora de alguns futuros profissionais do cinema português e que, em toda a sua natureza, pluralidade, virtudes e defeitos, revela-se um dos espaços mais férteis e inconformados no que toca ao debate sobre o passado, presente e futuro da Sétima Arte.

Signatários:

26.10.12

TCN Blog Awards 2012: Nomeados



O Caminho Largo está nomeado a Melhor Novo Blogue de Cinema/TV nos TCN Blog Awards 2012, uma iniciativa do blogue Cinema Notebook, na sua já 3ª edição oficial, que permeia todos os anos blogues e sites nacionais de cinema e televisão. Para além desta nomeação, inesperada a propósito (este espaço é ainda tão recente e tão embrionário), mas não menos desejada e gratificante, o blogue também está nomeado, em meu nome, na categoria Melhor Crítica de Cinema, com a crítica ao Dersu Uzala, de Akira Kurosawa.

De destacar ainda o meu envolvimento em duas iniciativas conjuntas que foram igualmente nomeadas na respectiva categoria Melhor Iniciativa, de seu nome Cinema Blogger Awards (no qual sou jurado) e Filmes que toda a gente gosta, mas eu não do blogue Cine31 (no qual fui participante).

Resta-nos agradecer aos que nos elegeram e que, portanto, apreciam o que aqui é escrito e publicado, e garantir o mesmo entusiasmo, interesse e regularidade em partilhar o nosso caminho e escrever sobre esta arte tão bela e fascinante. Entretanto, aconselhamos a ida ao blogue que organiza tamanha iniciativa e que por lá confiram todos os nomeados e categorias - certamente descobrirão excelente material para agradáveis e sérias leituras, bem como espaços de estatuto e referência inquestionáveis. E já agora, não deixem de votar no vosso preferido, que caso seja este blogue basta seleccionar as opções Caminho Largo e/ou Dersu Uzala. Obrigado desde já. Para votar e para mais informações dirijam-se ao Cinema Notebook (as votações encontram-se na barra lateral do mesmo).

Jorge Teixeira e Pedro Teixeira